Caldas Sport Clube 1954/55

Caldas Sport Clube 1954/55

terça-feira, 24 de abril de 2018

2.ª Divisão (Zona Norte) - Época 1960/1961 - 2.ª volta


# 14.ª Jornada: CALDAS, 2 - SANJOANENSE, 2 (01 de Janeiro de 1961).

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Viriato Maximiano, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Saturnino (ex: Sport Clube Palmense); Carlos Alberto, João Resende e Orlando; Rogério, Tomé, Janita, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA SANJOANENSE: Ramiro; Carlos e Almeida; Porcel (Argentino), Alvarez e Gaspar; Coutinho, Cirilo, Gonçalves, Augusto e Grilo. Treinador: Óscar Tellechea.

Primeira parte: 2-0.

Marcadores: CARDOSO aos 7 e 26 minutos, pelo Caldas; pela Sanjoanense marcaram COUTINHO e AUGUSTO, respectivamente aos 4 (49 minutos) e 43 minutos (88 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): A equipa caldense actuou durante a primeira parte abertamente ao ataque, chegando o seu domínio a ser, em certos períodos, verdadeiramente esmagador. O guarda-redes sanjoanense, umas vezes, e a má sorte, outras, não permitiram que a turma caldense tivesse marcado mais golos. No 2.º tempo, o Caldas quebrou e os visitantes bem apoiados por Porcel (um Argentino que chegou a jogar no F.C. Porto e Sport Comércio e Salgueiros), começaram a aparecer mais ao ataque, passando o resultado de 0-2 para 1-2 a 4 minutos deste período. Os homens de São João da Madeira ganharam ainda mais confiança e enquanto a equipa local, que nos pareceu acusar falta de preparação física ia baixando de rendimento. Aos 19 minutos (64 minutos), os caldenses foram beneficiados com uma grande penalidade, que marcada por António Pedro, foi defendida por Ramiro. Foi o fim. A partir deste momento a equipa da Sanjoanense começou a comandar as operações e o golo do empate [surgiu]...aos 43 minutos (88 minutos)...


# 15.ª Jornada: MARINHENSE, 4 - CALDAS, 1 (08 de Janeiro de 1961).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 09 de Janeiro de 1961, titulava-se: "Irresistível a segunda parte dos locais".

Campo da Portela, na Marinha Grande, pelado enlameado,

Árbitro: Álvaro Rodrigues, de Coimbra,

ATLÉTICO CLUBE MARINHENSE: Serrano; Reis e Pinto; Cardoso, Zeca e Vaz; Armando, Jacinto, Fernandes, Malveira e Carapinha. Treinador: Julinho.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Saturnino; Carlos Alberto, João Resende e Orlando; Rogério, Garnacho, Elísio Bispo, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

Primeiro tempo: 0-1.

Marcadores: GARNACHO (17 minutos), pelo Caldas; JACINTO (57 minutos), CARAPINHA (2) - (65 e 70 minutos) e FERNANDES (85 minutos), pelo Marinhense.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): ...numa partida bastante prejudicada pelo tempo, chuvoso e pelo estado do terreno, lamacento e propício a choques e quezílias...teve duas fases distintas: na primeira, os caldenses...foram mais esclarecidos...adoptando o sistema de pontapé longo com centros perigosos sobre a área de rigor, acabando a vencer por 1-0, tento mais consentido que obtido, pois a defesa local manteve-se estática, permitindo o remate vitorioso de GARNACHO. Na segunda parte, operou-se o «volte-face»: a zona vazia do meio campo desapareceu com o avanço de Vaz. Cardoso [do Marinhense] «secou» António Pedro e o ataque local arrancou irresistivelmente para uma merecida vitória, impondo-se velozmente a uma defesa visitante laboriosa e aplicada, mas que foi impotente para [o] suster...Dando balanço á partida, temos um resultado lisonjeiro para os visitantes, com vencedor justo, numa partida de nível técnico médio e em que os novos imperaram...[Na turma caldense]...Rita, não foi feliz. A defesa, cumpriu. O «veterano» António Pedro pela sua exibição na primeira parte cotou-se como um dos melhores elementos do conjunto e Garnacho foi o elemento mais esclarecido num ataque complicativo.


# 16.ª Jornada: CALDAS, 3 - VIANENSE, 0 (22 de Janeiro de 1961).

Na crónica do jornalista Sousa Varela, do Jornal "A Bola", publicada na edição de 23 de Janeiro de 1961, titulava: "Houve um abismo entre as duas metades".

Campo da Mata, nas Caldas da Rainha,

Árbitro: Manuel Paiva, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Saturnino; Carlos Alberto; João Resende e Orlando; Garnacho, António Pedro, Tomé, Elísio Bispo e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

SPORT CLUBE VIANENSE: Desidério; Neto e Domingos; Passos, Melo e Gerardo; Amaral, Manuel Jorge, Barros, Guilherme e Quintino. Treinador: ?.

Primeira parte: 3-0.

Marcadores: TOMÉ (2) e GARNACHO.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): A partida começou com o Vianense ao ataque e, embora sem fazer uma boa exibição, dominava com uma certa insistência, fazendo o jogo pender para o meio campo caldense. Os locais que, durante este período, não atinavam com a boa colocação no terreno, nem conseguiam um mínimo de perfeição no passe, limitavam-se a alguns contra ataques, aliás pouco perigosos. Com o decorrer do tempo, o jogo foi-se equilibrando e, por volta dos 10 minutos, jogava-se já de igual para igual. Pouco depois, iam decorridos 12 minutos, Garnacho teve uma boa insistência e conseguiu atingir a linha de cabeceira, isolado. O remate feito dessa difícil posição foi defendida por Desidério que, no entanto, não conseguiu segurar a bola. TOMÉ surgiu à recarga com oportunidade e fez o golo. Um tento espectacular, considerando que o remate foi feito, com o anterior, de cima da linha de cabeceira...Aos 18 minutos, a bola foi a Tomé que, embora em frente da baliza, não tinha possibilidades de rematar com êxito, dada a oposição de um defesa contrário. Muito calmo e com boa isão do lance, o n.º 9 caldense (Tomé) fez um passe atrasado na direcção de GARNACHO, que corria isolado na direcção da baliza. O remate, feito na passada e colocadíssimo não tinha possibilidades de defesa...A turma local tinha o jogo na mão, dominando abertamente e criando lances de bom futebol. Não foi, pois motivo de admiração a obtenção do seu terceiro golo, aos 30 minutos, por intermédio de TOMÉ que muito bem lançado por António Pedro, atirou a contar. Depois do intervalo, os caldenses continuaram a demonstrar superioridade, sendo certo, no entanto, que o Vianense sempre respondeu com entusiasmo e alguns laivos de bom jogo...chegando mesmo a haver períodos em que dominou abertamente a situação...Pareceu-nos, de novo, que a equipa do Caldas, que pratica um bom futebol, não é capaz de manter um ritmo razoável durante os noventa minutos.


# 17.ª Jornada: PENICHE, 1 - CALDAS, 0 (05 de Fevereiro de 1961).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 06 de Fevereiro de 1961, titulava-se: "Jogo muito aquém do que se esperava".

Campo do Baluarte, em Peniche,

Árbitro: Joaquim Campos, de Lisboa,

GRUPO DESPORTIVO DE PENICHE: Alexandre; Franco e Tito; Aníbal, Varela e Lídio; Correia Dias, Carapinha, Gonçalves, Soares e Rogério. Treinador: Juan Cédres Cabrera.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita, Miro e Anacleto; Carlos Alberto, João Resende e Orlando; Carlos Ferreira, Garnacho, Janita, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

Primeira parte: 1-0.

Marcador: CORREIA DIAS (12 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): ...Os primeiros minutos foram de estudo para ambas as equipas, com jogadas alternadas nos dois meios campos. Aos doze minutos, os locais atacaram pelo sector direito e CORREIA DIAS marcou o golo que daria a vitória à sua equipa. Animados com a vantagem no marcador, os penichenses começaram então a procurar aumentar o resultado, mas a defesa adversária, atenta e oportuna, ia-se opondo com êxito aos seus intentos...Recomeçada a partida [na segunda parte], os caldenses mostraram-se dispostos a modificar o resultado e coube então aos defensores do Peniche não se deixarem surpreender...Ao entrar-se nos últimos quinze minutos, o Caldas forçou de novo o ataque, mas os defensores locais não lhe permitiram grande liberdade e, assim, chegou o termo do encontro com 1-0 para o Peniche, resultado que é bastante lisonjeiro para os caldenses.


# 18.ª Jornada: CALDAS, 2 - CHAVES, 1 (12 de Fevereiro de 1961).

Na crónica do jornalista Sousa Varela, do Jornal "A Bola", publicado na edição de 13 de Fevereiro de 1961, titulava-se: "Diferença tangencial...apenas no resultado".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Edmundo de Carvalho, de Aveiro,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério; Orlando, João Resende e Saturnino; Lenine, Tomé, Elísio Bispo, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

GRUPO DESPORTIVO DE CHAVES: Martin; Adão e Amorim; Albano, Toni e Ângelo; Lisboa, Isidro, Rosário, Mirita e Fernando. Treinador: Domingo Garófalo.

Ao intervalo: 2-0.

Golos marcados por: BISPO, aos 24 minutos, e LENINE, aos 38 minutos. O golo do Chaves foi marcado aos 18 minutos (63 minutos) da segunda parte, por ISIDRO.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): A partida começou com um ataque do Chaves, que a defesa do Caldas anulou com facilidade. Os locais responderam prontamente e, logo aos 2 minutos beneficiaram de dois cantos seguidos, cedidos pela defesa forasteira em momentos de apuro...os flavienses logo responderam e o jogo foi-se disputando taco-a-taco...E foi preciso uma jogada infeliz dos flavienses para que os locais inaugurassem o marcador. Ao pôr uma bola em jogo, o guarda-redes Martin fê-lo de tal maneira que a colocou nos pés de BISPO, à entrada da área. Este ludibriou bem Toni, que acorrera, e, entrando na área, atirou sem possibilidades para Martin...Aos 38 minutos, numa boa jogada talvez a melhor de todo o desafio, os locais tornaram a marcar. O lance foi de bola corrida da defesa para o ataque e, com facilidade, Cardoso ficou isolado junto á linha de cabeceira. O centro, feito para trás, como mandam as regras, encontrou LENINE isolado junto ao poste mais distante e não teve qualquer dificuldade em fazer o golo. Até ao intervalo, continuou a assistir-se a uma ofensiva cerrada mas improfícua, dos locais perderam um pouco da sua força atacante...facto que os flavienses aproveitaram  para equilibrar a partida...Numa jogada aparentemente inofensiva João Resende e Rita atrapalharam-se mutuamente e ISIDRO aproveitou o lance para fazer o ponto de honra da sua equipa. Animados com o tento, os visitantes apareciam agora mais ao ataque, a tentarem igualar o marcador [mas até final ficou inalterado].


# 19.ª Jornada: FEIRENSE, 2 - CALDAS, 1 (19 de Fevereiro de 1961).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 20 de Fevereiro de 1961, titulava-se: "Vitória mais fácil do que o resultado indica".

Campo do Montinho, em Vila da Feira (actualmente designa-se de Santa Maria da Feira),

Árbitro: Francisco Guerra, do Porto,

CLUBE DESPORTIVO FEIRENSE: Ramin (por se ter lesionado foi substituído por Gonçalves); Dinis e Campanhã; José Martinez Dieste, Aurélio e Lopes; Leite, Brandão, Rui Maia, Ramalho e Silva Pereira. Coordenado-Técnico: Alfredo Valadas e Treinador/Jogador: José Martinez Dieste.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Ramos e Saturnino; João Resende, Rogério e Orlando; Romeu, Elísio Bispo, Janita, António Pedro e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

Primeiro tempo: 1-0.

Marcadores: RAMALHO (2), pelo Feirense; JANITA, pelo Caldas.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): Partida ardorosamente disputada, a proporcionar espectáculo de agrado, e com desfecho absolutamente certo, isto é, com triunfo meritório da formação que mais fez por o merecer. No primeiro período...a turma de Vila da Feira impôs superioridade...[que resultou] um golo aos vinte e um minutos, por intermédio de RAMALHO, a seguir a um lance bem forjado por Dieste. Logo após o recomeço, os locais...aumentaram a vantagem com mais um golo de RAMALHO, colocando depois a baliza de Rita frequentemente em situações de apuro. Já no declinar da contenda, o Feirense, parecendo já não ter preocupações abrandou. E, como consequência, os caldenses aproveitaram-se da circunstância por nivelar a partida e até chegar a perturbar a defesa contrária. Assim não surpreendeu que, aos trinta e dois minutos, aligeirassem a diferença, na sequência de um «canto».


# 20.ª Jornada: CALDAS, 3 - OLIVEIRENSE, 2 (05 de Março de 1961).

Na crónica do jornalista Pedro Mesquita, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada na edição de 06 de Março de 1961, titulava-se: "Os caldenses venceram com sorte".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Virgílio Leitão, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto, Saturnino e Rogério, João Resende e Orlando, Romeu, António Pedro, Janita, Elísio Bispo e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

UNIÃO DESPORTIVA OLIVEIRENSE: Ferdinando; Branca, Pinho II e Armindo; Pinho I e André; Pires, Campos, Valente, Celso e Martins. Treinador: Alexander Peics.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo): Aos 17 minutos numa jogada de insistência de Elísio Bispo levou a bola a Lenine, que centrou rasteiro. JANITA apareceu de rompante e, á boca da baliza, marcou o primeiro golo do Caldas. No minuto seguinte, CAMPOS fintou bem o adversário que marcava e rematou imparavelmente, estabelecendo o empate. Aos 20 minutos, Romeu centrou e LENINE, de frente para a baliza, rematou sem deixar a bola bater no chão. Ferdinando ainda tocou no esférico, mas não pôde evitar que ele fosse às malhas. Aos 38 minutos, Saturnino entrou em falta sobre Valente quase em cima da linha da grande área e em posição frontal para a baliza do Caldas. PIRES marcou o castigo e Rita, talvez por não ter visto partir a bola, limitou-se a segui-la com o olhar até ela entrar. No primeiro minuto da segunda parte, a Oliveirense foi castigada com um «penalty» que BISPO converteu no golo da vitória da sua equipa...A equipa local voltou a exibir-se em bom plano e os seus jogadores mais em evidência foram: João Resende (quando a defesa central), António Pedro, Rogério, Bispo e Romeu.


# 21.ª Jornada: BOAVISTA, 4 - CALDAS, 2 (12 de Março de 1961).

Na crónica do jornalista Germano da Silva, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada na edição de 13 de Março de 1961, titulava-se: "Os portuenses jogaram para vencer".

Campo do Bessa, na cidade do Porto,

Árbitro: Raúl Martins, de Lisboa,

BOAVISTA FUTEBOL CLUBE: Pais; Ribeiro, Franco e Pacheco; Cipriano e Eugénio; Cabral, Adérito, Adriano, Guilherme e Germano. Treinador/Jogador: Guilherme (em substituição de Janos Hrotkó, que tinha iniciado a época).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Orlando, João Resende e Rogério; António Pedro e Saturnino; Garnacho, Romeu, Janita, Elísio Bispo e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

Ao intervalo: 3-0. Marcadores: ADÉRITO e ADRIANO (3), aos 7, 16, 45 e 52 minutos, respectivamente. BISPO e GARNACHO, para o Caldas, aos 62 e 65 minutos.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Tinham decorridos 7 minutos, quando o Boavista fez funcionar o marcador, por intermédio de ADÉRITO. A partida desenvolvia-se em ritmo lento e com as equipas a actuarem em plano de equilíbrio, toada esta que se manteve durante o primeiro quarto de hora. Com a obtenção do segundo tento, pouco depois dos 15 minutos iniciais, o Boavista ganhou ascendente e assenhorou-se do comando das operações que viria a manter até cerca dos 62 minutos da partida...Aos 62 minutos, porém, BISPO marcou o primeiro golo da sua turma e o jogo mudou de feição…[pois] viu-se o Caldas crescer e atingir um período em que lhe foi indubitavelmente a melhor equipa do terreno. Já nos últimos minutos, com o Boavista a vencer por 4-2, o Caldas desperdiçou uma magnífica oportunidade de reduzir a diferença. Bispo foi carregado por Franco dentro da grande área do Boavista e o árbitro assinalou a grande penalidade. Na marcação do castigo, Bispo mandou a bola à trave, fazendo-a anichar nas redes, na recarga, e o árbitro anulou o tento, cumprindo a lei.


# 22.ª Jornada: CALDAS, 3 - BENFICA E CASTELO BRANCO, 2 (09 de Abril de 1961).

Na crónica do jornalista Pedro Mesquita, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada na edição de 10 de Abril de 1961, titulava-se: "Resultado lisonjeiro para os visitantes".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Antunes Neto, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto, João Resende e Rogério; Orlando, Saturnino; Garnacho, Romeu, Tomé, António Pedro e Elísio Bispo. Treinador: Mariano Amaro.

SPORT BENFICA E CASTELO BRANCO: Carujo; Juca, Silva e Sebastião; Valadares e David; Ramos, Mateus, Graça, C. Silva e Cunha Velho. Treinador: António Feliciano.


CRÓNICA DE JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Aos 10 minutos, António Pedro enviou a bola por alto, a cair perto da baliza adversária e Tomé, antecipando-se a Carujo, de cabeça, deu a bola a BISPO que apanhou já perto da linha de cabeceira e rematou para a baliza deserta. A bola fez ainda tabela no braço de Juca e anichou-se nas redes. Aos 38 minutos, numa magnífica jogada do ataque caldense culminou com um centro rasteiro de Bispo que ROMEU não teve dificuldade em converter no segundo golo caldense. Dois minutos depois foi marcado um livre contra a equipa local perto da linha da sua grande área e em posição quase frontal para a baliza de Rita. A defesa caldense não formou barreira e CUNHA VELHO, encarregado da marcação, fê-lo de maneira superior, rematando directamente à baliza, conseguindo, assim, o primeiro golo de sua equipa. Quatro minutos depois do recomeço do prelio, Anacleto quis passar a bola ao seu guarda-redes mas introduziu-a na própria baliza, pois Juca, entretanto, tinha abandonado o seu lugar. O empate (de 2-2), no entanto, não durou muito, pois no minuto seguinte, GARNACHO, com um potente emate, estabeleceu o resultado final.


# 23.ª Jornada: GIL VICENTE, 3 - CALDAS, 1 (23 de Abril de 1961).

Na crónica do jornalista José Teixeira, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada na edição de 24 de Abril de 1961, titulava-se: "Foi dominado o melhor apuro dos vencidos".

Campo Ribeiro Novo, em Barcelos,

Árbitro: Costa Martins, do Porto,

GIL VICENTE FUTEBOL CLUBE: Armando; Antunes, Sampedro e Faneco; Ferreira e Canário; Manuelzinho, Vieira, João Mendonça, Fernando Mendonça e Sílvio. Treinador: ?

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto, João Resende e Rogério; Orlando e Saturnino; Garnacho, Romeu, Janita, António Pedro e Elísio Bispo. Treinador: Mariano Amaro.

Ao intervalo: 2-0, golos aos 16 minutos por SÍLVIO e aos 39 por MANUELZINHO. Na segunda parte, novamente SÍLVIO, aos 14 e JANITA aos 22 minutos, fixaram o resultado.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Os visitantes jogaram descontraídos, sem pressas, num à vontade impressionante, e estes atributos fizeram com que o domínio lhes pertencesse no primeiro quarto de hora, até porque o desacerto dos locais era evidente, acusando, talvez, a responsabilidade do jogo…[No entanto] o golo teve o condão de espevitar os «gilistas» que passaram ao domínio territorial, visto que tecnicamente o Caldas continuou a ser a melhor equipa...A segunda parte teve a mesma feição da primeira. Bola mais bem jogada pelos visitantes e mostras de cansaço e desnorteamento dos locais. Mesmo assim, foi ainda, o Gil Vicente que conseguiu o terceiro golo...o resultado aceita-se pelo que os locais jogaram na primeira parte.


# 24.ª Jornada: U. COIMBRA, 2 - CALDAS, 0 (30 de Abril de 1961).

Na crónica do Jornal "Mundo Desportivo", publicada na edição de 01 de Maio de 1961, titulava-se: "A Equipa vencedora foi a que mais oportunidades de golo desperdiçou".

Campo da Arregaça, em Coimbra,

Árbitro: José Porfírio, de Aveiro,

CLUBE DE FUTEBOL UNIÃO DE COIMBRA: Negacho; Brito e Lua, Juan Callichio, Severino e Zeca; Olivar, Orlando, Betinho, Matiota e Costa. Treinador/Jogador: Juan Callichio.

CALDAS SPORT CLUBE: Aurélio; Anacleto e Orlando; Saturnino, João Resende e António Pedro; Garnacho, Romeu, Janita, Elísio Bispo e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Ao encontro afluiu assistência em número regular...O primeiro golo dos conimbricenses foi marcado aos vinte minutos da primeira parte e apontado por BETINHO. O segundo tento nasceu de um livre contra o Caldas, marcado por CALICCHIO, que bateu surpreendentemente o guardião Aurélio.


# 25.ª Jornada: CALDAS, 2 - BEIRA-MAR, 2 (14 de Maio de 1961).

Na crónica do jornalista Sousa Varela, do Jornal "A Bola", publicada na edição de 15 de Maio de 1961, titulava-se: "Em tempo quente um jogo muito frio".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Eduardo Gouveia, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Saturnino, Vasco Oliveira, João Resende e Orlando; Garnacho; António Pedro, Janita, Elísio Bispo e Rogério. Treinador: Mariano Amaro.

SPORT CLUBE BEIRA-MAR: Violas; Evaristo e Jurado; Amândio, Liberal e Marçal; Calisto, Amaral, Diego, Ruben Garcia e Paulino. Treinador: Anselmo Pisa.

Ao intervalo: 1-1. 

Marcadores: ROGÉRIO E BISPO, pelo Caldas, e DIEGO (2), pelo Beira-Mar.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): A partida era aguardada com muito interesse, pois que todos os adeptos do futebol de Caldas da Rainha desejavam ver em acção os novos primodivisionários [Beira-Mar], a quem a critica tem dedicado as melhores referências...Mas, ao fim e ao cabo, a expectativa foi iludida, pois jogou-se futebol de baixo nível, com a bola sempre pelo ar e sem sinal de perigo para qualquer das balizas...Aproveitando o balanço inicial, a turma local instalou-se no meio-campo do adversário até cerca dos vinte minutos. Depois desse período, o jogo passou a ser disputado em toada de equilíbrio, com a bola a correr pelos dois meios campos, mas sem que surgissem lances de perigo…[Até que] aos 38 minutos, o Caldas avançou pelo centro do terreno, a defesa do Beira-Mar atrapalhou-se e Bispo conseguiu rematar. A ola foi ao poste, ressaltando para Garnacho que atirou para a frente da baliza, onde surgiu ROGÉRIO a marcar sem dificuldade…[Por volta dos 40 minutos], o Beira-Mar, marcou por intermédio de DIEGO, com um remate de longe, que nos pareceu defensável e para o qual Rita nem esboçou a defesa...Na segunda parte, a feição da partida não se alterou. As duas equipas continuaram a jogar pelo ar, aos repelões, sem sentido de bom futebol...Continuando a jogar de forma equilibrada, o Beira-Mar colocou-se em vencedor, aos 14 minutos (59 minutos). DIEGO bateu João Resende em corrida e, surgindo isolado diante de Rita, rematou sem possibilidades de defesa...Na situação de vencida, a turma da casa intensificou os seus ataques e aos 34 minutos (79 minutos), BISPO igualou o marcador, na transformação de uma grande penalidade. Até ao fim, foi ainda o Caldas que perdeu a melhor ocasião, quando Janita, apanhando uma bola que Violas largara a atirou contra o corpo do guardião visitante, que já se encontrava estendido no solo.


# 26.ª Jornada: TORREENSE, 2 - CALDAS, 1 (28 de Maio de 1961).

Na crónica do jornalista Fernando Monteiro, do Jornal "A Bola", publicada na edição de 29 de Maio de 1961, titulava-se: "Faltaram golos para tradução mais exacta".

Campo das Covas, em Torre Vedras,

Árbitro: Inácio Tereso, de Setúbal,

SPORT CLUBE UNIÃO TORREENSE: Varatojo; Narciso II e Luís; Carlos António, Humberto e José da Costa; Narciso I; Mineu, Mateus, Mendes e Bezerra. Treinador: Treinador: Ricardo Perez.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Saturnino e Lenine; Carlos Alberto, João Resene e Vasco Oliveira; Rogério, Janita, Orlando, António Pedro e Elísio Bispo. Treinador: Mariano Amaro.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores: MATEUS e BEZERRA, pelo Torriense; e ORLANDO, pelo Caldas.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): Uma rivalidade desportiva de muitos anos, a necessidade de mais um ponto para o Torreense salvaguardar qualquer hipótese, ainda que remota [de descida] e o desejo lógico e admissível do Caldas se situar em posição destacada, constituíam á «priori», argumentos mais que suficientes para se admitir um jogo emotivo e disputado...E até certo ponto podemos afirmar…[que] o jogo foi sempre disputado com grande empenho e vontade por todos os jogadores e a incerteza quanto ao resultado final, apenas desfeito a sete minutos do termo do encontro, deu-lhe uma boa dose de emoção...Na primeira parte...couberam aos da «casa» as mais claras situações de golo...e de lances ofensivos de desenho mais académico o que por si só justifica a vantagem do primeiro tempo. Na segunda parte o Caldas começou com mais desenvoltura e, embora com certas culpas para a defensiva torresã, Varatojo incluído, alcançou a igualdade [por intermédio de Orlando] quando eram decorridos apenas quatro minutos de jogo. Os visitantes, porém, não puderam manter o ritmo inicial, por quebra evidente de algumas «pedras» influentes, especialmente António Pedro, e também por imperativo do melhor jogo, frescura e vontade dos torrienses, acabando o resto do encontro por se acantonarem na defesa do seu meio campo, procurando a ofensiva através de contra-ataques de fraca intencionalidade...Pode mesmo afirmar-se que em jogo de ataque o Caldas na segunda parte, de positivo só teve o golo o que convenhamos, é muito pouco…



FIM DA SEGUNDA VOLTA E DA ÉPOCA 1960/1961


O CALDAS, entre 14 equipas, ficou posicionado na 8.ª posição, obtendo 25 pontos, resultado de 11 vitórias, 3 empates e 12 derrotas, e com um "goal average" desfavorável, com 48 golos marcados, mas 49 sofridos. O seu melhor marcador acabou por ser o jogador JANITA, com 16 golos apontados. O SPORT CLUBE BEIRA-MAR, por ter sido vencedor desta Zona Norte, acabou por ascender à I Divisão Nacional. Desceram à III Divisão Nacional, UNIÃO DE COIMBRA E GRUPO DESPORTIVO DE CHAVES.

segunda-feira, 26 de março de 2018

"Ascender à I Divisão e rejuvenescer a equipa - o programa de Mariano Amaro", para a Época de 1960/1961

Na edição, de 17 de Novembro de 1960, do Jornal "A Bola", Mariano Amaro é entrevistado, por este jornal, revelando as suas ideias para o Caldas, nesta Época de 1960/1961. Assim, revelam-se alguns excertos dessa mesma entrevista:
 
O nome de Mariano Amaro desperta gratas recordações no espírito dos caldenses, pois foi sob a direcção do conhecido técnico português que o Caldas Sport Clube subiu da III para a II Divisão, e, daí, deu o pulo apoteótico para a Divisão de honra, em tempos ainda não muito recuados [Época 1954-1955] e que ficaram exarados a ouro no historial do clube...Por isto o regresso de Mariano Amaro à condução dos homens [das Caldas] foi saudado com júbilo a traduzir as esperanças firmes em dias melhores. E foi esse justamente o primeiro ponto que abordámos na entrevista que nos propusemos fazer com o reputado treinador do Caldas.
 
- No seu regresso que ambiente viera encontrar?
 
- Amaro medindo bem as palavras, declarou-nos: - Muito diferente do ambiente de anos atrás. E é fácil de compreender. Quando da minha primeira estada nas Caldas da Rainha, nada se esperava ou exigia de muito especial, a não ser uma presença honrosa e condigna. Havia ambições, sim, mas nenhum frenesim especial...
 
- Mas agora...
 
- Agora, é diferente...é absolutamente natural que anseie por voltar à Divisão de Honra, donde, aliás, se considera excluído por simples acidente desportivo, pois a considera como lugar que lhe compete...
 
- Quais os problemas da equipa?
 
- A minha equipa...e eu estou a trabalhar para isso - precisa de ser rejuvenescida. Não quer isto dizer que não confie e conte com os homens que tenho, agora, às minhas ordens. Nada disso. Mas um treinador tem de ver à distância, tem de acautelar o futuro, e é olhando a isso que o meu actual trabalho no Caldas tem duas directrizes distintas: - um fim imediato, elevar o clube à primeira posição da sua Zona; um fim menos urgente, mas inadiável, proceder ao rejuvenescimento da turma cuja média de idades anda à volta dos 27-28 anos...
 
- Acredita então que o Caldas possa ganhar a Zona Norte?
 
- E porque não? Andamos lá para isso e temos tantas possibilidades como os outros...
 
 
MARIANO AMARO
 


terça-feira, 13 de março de 2018

2.ª Divisão (Zona Norte) - Época 1960/1961 - 1.ª volta

Para a Época de 1960/1961 já não faziam parte do Plantel do Caldas Sport Clube: o anterior Treinador, JÓZSEF SZABÓ que tinha sido contratado para orientar o, primodivisionário, SPORTING CLUBE DE BRAGA; o jogador argentino GONZÁLEZ contratado pelo, também primodivisionário, ATLÉTICO CLUBE DE PORTUGAL, com o intuito de substituir o defesa central, que entretanto tinha-se transferido para o SPORT LISBOA E BENFICA, o futuro Bicampeão Europeu e "Magriço", GERMANO; e igualmente os jogadores, VÍTOR, DJALMA, Carlos BAMBO e Júlio PITTOLO.

Foram, para esta Época, contratados os jogadores: TOMÉ (Médio e ex: SPORT CLUBE VILA REAL); Elísio BISPO (Avançado e ex: ATLÉTICO CLUBE DE PORTUGAL); CARLOS ALBERTO; CARLOS FERREIRA; o defesa SATURNINO (oriundo do Sport Clube Palmense). MIRO, RAMOS E HERNÂNI (estes três últimos jogadores só começaram a jogar a partir da 2.ª volta).

Quanto ao novo Treinador, foi inicialmente contratado, o Romeno-Húngaro, JOSEF FABIAN (que já tinha treinado o Caldas, na Época de 1958/1959 - última época na 1.ª Divisão Nacional), mas uma nova Direcção do Caldas decidiu prescindir dos seus serviços, contactando o treinador MARIANO AMARO (ex: TORRIENSE), que voltou a treinar o Caldas, ele que foi o responsável pela subida à 1.ª Divisão Nacional, na Época 1954/1955.



# 1.ª Jornada: SANJOANENSE, 4 - CALDAS, 1 (18 de Setembro de 1960).

Na crónica do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no edição de 19 de Setembro de 1960, titulava-se: "Auspícios modestos para ambas as equipas".

Campo Conde Dias Garcia, em São João da Madeira,

Árbitro: António Magalhães, do Porto,

ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA SANJOANENSE: Ramiro (Espanhol); Carlos, Alvarez (Argentino) e Almeida; Dino e Nélson; Antonete, Flávio, Coutinho (ex: Farense); Macedo e Grilo. Treinador: Óscar Tellechea (Argentino).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto, João Resende e Rogério; Vasco Oliveira e Orlando; Garnacho, Romeu, Janita, António Pedro e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

Ao intervalo: 1-0, golo de COUTINHO, aos 16 minutos. No segundo tempo, novamente COUTINHO elevou o marcador aos 9 minutos (54 minutos). Aos 30 minutos (75 minutos), JANITA diminuiu a vantagem da Sanjoanense; GRILO repõe-a aos 36 minutos (81 minutos) e ALVAREZ aos 40 minutos (85 minutos) fixou o resultado. 


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Indiscutível a vitória da Sanjoanense a qual poderia ter-se verificado por números mais expressivos...Para início de época, os visitantes deixaram antever razoáveis possibilidades, dado o poder técnico evidenciado...


# 2.ª Jornada: CALDAS, 2 - MARINHENSE, 1 (25 de Setembro de 1960).

Na crónica do jornalista (e correspondente do Jornal nas Caldas da Rainha) Pedro Mesquita, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada na edição de 26 de Setembro de 1960, titulava-se: "Os visitantes não mereciam a derrota".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Arnaldo Conde, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto, João Resende e Rogério; Vasco Oliveira e Orlando; Garnacho, Romeu, Janita, António Pedro e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

ATLÉTICO CLUBE MARINHENSE: Serrano; Remígio, Zeca e Pinto, Cardoso e Reis, Inácio (ex: Vitória de Setúbal), Flora (Guineense e ex: Lusitano de Évora), Fernandes (ex: Vitória de Setúbal), Carapinha e Armando. Treinador: Julinho.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): A primeira parte foi jogada em toada de equilíbrio, com maior apuro técnico por parte dos caldenses, mas com mais energia e vontade do lado dos visitantes. As jogadas repartiram-se pelos dois meios campos mas, no entanto, o jogo não atingiu bitola capaz de entusiasmar a assistência...Á meia-hora de jogo João Resende lesionou-se e passou para extremo-direito, sendo substituído por Orlando, e, dois minutos depois o Caldas marcou o primeiro golo por intermédio de JANITA, que, embora de posição difícil, aproveitou muito bem um passe em profundidade de Garnacho...Na segunda parte...o comando do jogo pertenceu aos visitantes, salvo em pequenos intervalos...Os forasteiros conseguiram finalmente, o seu objectivo aos 30 minutos (75 minutos) com um golo de FERNANDES que desviou muito bem um «livre» marcado por Pinto. Quando se esperaria que o Caldas reagisse, nada disso aconteceu, pois os jogadores da Marinha Grande continuaram a mandar no terreno e Fernandes conseguiu, mesmo, aos 37 minutos, introduzir novamente a bola na baliza de Rita, mas o árbitro tinha apitado antes para marcar, contra os visitantes, uma falta que não descortinámos qual fosse. Quanto a nós, foi um golo limpo...Os últimos três minutos foram dramáticos com o Marinhense tentando segurar o resultado e o Caldas, embora descontroladamente, à procura com afinco, o golo da vitória. Estava escrito que este golo havia de surgir. Havia exactamente 90 minutos de jogo quando LENINE se redimiu de todos os seus erros anteriores marcando um golo que valeu oiro.


# 3.ª Jornada: VIANENSE, 1 - CALDAS, 2 (02 de Outubro de 1960).

Na edição de 03 de Outubro de 1960 do Jornal "Mundo Desportivo", titulava-se: "Triunfou a equipa que exibiu melhor futebol".

Campo Dr. José de Matos, em Viana do Castelo,

Árbitro: João Gomes, do Porto,

SPORT CLUBE VIANENSE: Desidério; Jo, Melo e Gerardo; Carmelo e Artur; Lutero, Gelucho, Serapio, Passos e Guilherme. Treinador: ?

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto; João Resende e Rogério; Vasco Oliveira e Orlando; Garnacho, Romeu, Janita, Antonio Pedro e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

Aos 22 minutos, JANITA, após um centro magnífico de Rogério fez o primeiro golo dos caldenses. Três minutos depois (25 minutos), GARNACHO, ante a indecisão da defesa vianense obteve o segundo golo do Caldas. A cinco minutos do fim, CARMELO na transformação de uma grande penalidade conseguiu o ponto de honra do Vianense.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): ...Os visitantes ganharam bem...Disso não restam dúvidas a todos aqueles que assistiram ao desafio...A equipa de Mariano Amaro veio com a lição estudada - e de que maneira!...Os visitantes com uma linha avançada cheia de movimentação e alguns jogadores de valia, caso de Garnacho, e com o avançado-centro Janita, sempre na brecha, causaram calafrios á defesa local, que em muitos momentos se desorientou. Há a acrescentar ainda a acção preponderante de António Pedro, o «cérebro» da equipa...Gostámos sinceramente do grupo do Caldas. Bastante homogéneo, com alguns valores de bom recorte técnico e com uma defesa que, nas alturas difíceis, esteve sempre no caminho da bola.


# 4.ª Jornada: CALDAS, 1 - PENICHE, 1 (16 de Outubro de 1960).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 17 de Outubro de 1960, titulava-se: "A figura do encontro foi o guarda-redes visitante".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Francisco Nogueira, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério; Vasco Oliveira, João Resende e Orlando; Garnacho, Romeu, Janita, António Pedro e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

GRUPO DESPORTIVO DE PENICHE: Oliveira Martins; António Maria e Tito; Tino, Franco (ex: Vitória de Cernache) e Lídio; Correia Dias, Carapinha, Pinto da Rocha, Duarte e Rogério. Treinador: Juan Cédres Cabrera (Espanhol).

Ao intervalo: 0-0


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): O grupo «da casa» mostrou de início querer resolver a contenda a seu favor, postando-se nitidamente ao ataque, mas, aos 5 minutos, António Pedro, a um centro de Lenine, teve uma perdida flagrante, pois Oliveira Martins defendeu, instintivamente com a perna. Umas vezes, por manifesta falta de sorte, outras, por menos calma dos jogadores caldenses, estes não conseguiram, porém, os seus intentos...[e assim] chegou-se ao intervalo com o resultado em branco - o que não traduzia o domínio do Caldas nesta primeira parte, talvez porque tal domínio não era feito com cabeça e coesão geral. Na segunda parte tudo se modificou. O Peniche...tentou mais o ataque, com mais confiança nas suas possibilidades, fazendo perigar por diversas vezes a baliza à guarda de Rita, que se viu batido aos 15 minutos (60 minutos), mas o golo acabou por ser evitado milagrosamente. Com o Caldas a decair e o Peniche a crescer, os visitantes conseguiram marcar, aos 21 minutos (66 minutos), por intermédio de ROGÉRIO, então na extrema-direita, por troca com Correia Dias. Com este golo o Caldas acertou e, com ataques mais em força do que em jeito, conseguiu de novo dominar a situação. Não tendo ainda a sorte pelo seu lado, o Caldas, por intermédio de Orlando, enviou uma bola à trave, perto do fim da partida. Quando já não se esperava, António Pedro lançou a bola em profundidade e JANITA deu-lhe o caminho das redes do Peniche, precisamente ao nonagésimo minutos (90 minutos)...No Caldas, apenas é de salientar a actuação de João Resende, um pilar da defesa, o único talvez que jogou dentro das suas possibilidades.


# 5.ª Jornada: CHAVES, 3 - CALDAS, 1 (23 de Outubro de 1960).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 24 de Outubro de 1960, titulava-se: "Os mais práticos ganharam por escassa margem".

Campo Municipal de Chaves, terreno de jogo enlameado e escorregadio,

GRUPO DESPORTIVO DE CHAVES: Martin; Adão e Amorim; Toni, «Quim» e Ângelo; Isidro, Mirita, Rosário, Luís e Fernando. Treinador: Domingo Garófalo (ex: Sport Clube Vila Real).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério; Vasco Oliveira, Miro e Orlando; Garnacho, Romeu, Janita, António Pedro e Lenine. Treinador: Mariano Amaro.

Primeiro tempo: 2-1.

Marcadores: ROSÁRIO (2) e MIRITA pelo Chaves; ROMEU pelo Caldas.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): ...Os flavienses na verdade, tiveram inúmeras oportunidades de baliza aberta, razão porque dizemos que o marcador não expressa, com fidelidade, o sentimento de ataque dos locais. No desenvolvimento do jogo com o esférico a passar de uns para os outros, os visitantes foram superiores, mesmo quando a derrota se tornou inevitável, lutando sempre com entusiasmo. Todavia os seus esforços foram gorados...Assim, embora o Caldas tivesse deixado boa impressão, quanto ao conjunto de sua equipa, os locais, com menos preciosismo, adaptando-se melhor ao mau estado do terreno...fez jús ao triunfo com toda a justiça, e nada admirar-se-ia o «score» tivesse sido mais elevado...No primeiro tempo...os flavienses quando se atingiu a meia hora já tinham a vantagem de dois golos, ambos obtidos por ROSÁRIO e em lances semelhantes, a concluírem, da melhor maneira, centros do seu companheiro Isidro, o primeiro aos 20 minutos e o segundo, nove minutos depois. Os visitantes, sem deixarem de replicar, mas denotando maior esforço, conseguiram reduzir a diferença, a dois minutos do descanso [aos 43 minutos, por ROMEU]. No segundo tempo...só aos 20 minutos (65 minutos) o Chaves pôde elevar a marca para 3-1, sendo o golo de MIRITA obtido com um pontapé violento. Rita, ainda chegou a tocar no esférico , mas não o pôde deter.


# 6.ª Jornada: CALDAS, 3 - FEIRENSE, 2 (30 de Outubro de 1960).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 31 de Outubro de 1960, titulava-se: "Certo mas difícil triunfo caldense".

Árbitro: Maximiano Afonso, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério; Vasco Oliveira, João Resende e Orlando; Romeu, Tomé (ex: Sport Clube Vila Real), Janita, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

CLUBE DESPORTIVO FEIRENSE: Zeferino; Dinis e Aurélio, Campanhã, Licínio e Lopes, Leite, Brandão, Rui Maia (ex: Associação Académica de Coimbra), José Martínez Dieste (Espanhol) e Ramalho. Orientador-Técnico: Alfredo Valadas e Treinador/Jogador: José Martínez Dieste.

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores: JANITA, CARDOSO e ANTÓNIO PEDRO pelos locais; RUI MAIA e LEITE, pelos visitantes.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): Partida ardorosamente disputada, da qual o elenco caldense só conseguira sair airosamente a quatro minutos do seu tempo, e mesmo assim, com alguma felicidade...No primeiro período o confronto decorreu de certo modo nivelado, com alternativas de supremacia, embora os caldenses se mostrassem, quase sempre, mais ameaçadores, especialmente ao acertado labor do seu defensivo. Por isso, a igualdade não traduz com justeza a superior capacidade construtiva demonstrada pela formação local. E, após o reatamento, a feição da contenda não se modificou, embora os feirenses tivessem oferecido mais oposição, dando tudo por tudo para lograr, pelo menos, um ponto...Foi portanto, a golpes de energia que a contagem foi favorável aos caldenses, onde Rita...Tomé, que teve estreia muito auspiciosa e António Pedro foram as figuras salientes, bem coadjuvados por João Resende e Rogério.


# 7.ª Jornada: OLIVEIRENSE, 2 - CALDAS, 1 (06 de Novembro de 1960).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 07 de Novembro de 1960, titulava-se: "Vitória justa mas difícil de arrancar".

Campo Carlos Osório, em Oliveira de Azeméis,

Árbitro: José Pereira, de Viseu,

UNIÃO DESPORTIVA OLIVEIRENSE: Ferdinando; Pinho I e Correia; Júlio Pinto, Pinho II e André; Martins, Branca, Valente, Lucídio e Santos I. Treinador: Sándor Peics (Húngaro, também conhecido pelos nomes de Aleksandar Peic ou Alexandre Peics).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Orlando e Rogério; António Pedro, João Resende, Vasco Oliveira, Garnacho, Elísio Bispo (ex: Atlético Clube de Portugal), Tomé, Janita e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

Primeira parte: 0-0.

Marcadores: BISPO, aos 46 minutos, pelo Caldas; VALENTE, aos 65 minutos e JÚLIO PINTO, aos 73 minutos, pela Oliveirense.

CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): A partida era aguardada com certo interesse, pois tratava-se de dois grupos com destacadas pretensões na prova em curso...Notava-se no Caldas a preocupação de suster o ímpeto dos locais, mercê de uma defesa bem organizada, não descurando o ataque, feito quase sempre em contra-ataques rápidos, procurando aproveitar qualquer deslize da defesa local...A primeira parte terminou sem que o aspecto do jogo se modificasse. O empate sem golos, verificado nesta altura, pode considerar-se lisonjeiro para os caldenses e só se devendo à boa actuação de Rita. A segunda parte principiou com o golo do Caldas. Um desentendimento entre Pinho II e Ferdinando acabou a colocar a bola nos pés de BISPO, que mais trabalho não teve que o de empurrar para dentro da baliza deserta. Com o resultado favorável, o Caldas reforçou ainda mais o seu reduto defensivo, procurando, deste modo, tornar inúteis todos os esforços dos locais. Estes, porém, num esforço desesperado, lutavam valentemente, procurando encontrar na forte e por vezes dura defesa visitante uma aberta que lhes permitisse desfeitear Rita, que continuava a defender tudo. Até que...aos 21 minutos (65 minutos), viram os seus esforços coroados de êxito, merce de um golo marcado por VALENTE. Conseguido o empate, havia de procurar a vitória [o que conseguiram 12 minutos mais tarde, através de JÚLIO PINTO]. O último quarto-de-hora foi jogado com ambos os grupos procurando modificar o resultado, sem, que contudo, o tivessem conseguido.


# 8.ª Jornada: CALDAS, 2 - BOAVISTA, 0 (13 de Novembro de 1960).

Na crónica do Jornal "A Bola", publicada na edição de 14 de Novembro de 1960, titulava-se: "Vitória normal do futebol ofensivo".

Campo da Mata, nas Caldas da Rainha,

Árbitro: Henrique Silva, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Orlando; António Pedro, João Resende e Vasco Oliveira, Garnacho, Tomé, Janita, Elísio Bispo e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

BOAVISTA FUTEBOL CLUBE: Zeca; Ribeiro e Artur, Sá Pereira, Franco e Eugénio; Cabral, Cipriano, Adriano, Guilherme e Adérito (ex: F.C. Porto). Treinador: János Hrotkó (ex: Sport Clube Vianense).

1.ª parte: 1-0. Aos 38 minutos, na sequência dum cruzamento de Orlando, por TOMÉ de cabeça.

2.ª parte: 1-0. Aos 20 minutos (65 minutos), na marcação de um «canto» Cardoso tocou curto para Bispo, que lhe devolveu o passe. O centro saiu na conta, e TOMÉ, novamente de cabeça, estabeleceu o resultado final.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): Pelo Campo da Mata ecoaram ontem, lembranças do antigo fausto de divisão cimeira...Foi realmente muitíssimo bem jogado este desafio...entre os caldenses e os homens do Bessa...Os primeiros momentos do desafio mostraram ambos os sectores de retaguarda a impor-se às tentativas dos ataque adversários. A bola rondava ambas as balizas (mais a de Zeca) mas nunca o perigo parecia eminente. Até que aos 34 minutos...[a turma caldense atira com a bola à barra]...A jogada galvanizou a turma da «casa» que, num crescendo de entusiasmo, obteve 4 minutos depois o seu primeiro tento e até ao final da 1.ª parte não mais sairia do meio-campo adversário...A 2.ª parte iniciou-se com iguais perspectivas [chegando o Caldas com naturalidade ao segundo golo]...No Caldas, onde todos cumpriram, um triunvirato a destacar. Cardoso, um novo que se começa a impor como ídolo local, com excelente arranque, perfeito domínio de bola, «drible» fácil, discernimento do lance e pontapé forte. António Pedro, ainda uma utilidade e valor insubstituível nas fileiras do Caldas, foi uma grande figura do jogo, sempre em toda a parte do campo. João Resende é um jogador de excelente categoria, amo e senhor da zona à sua guarda, e fez uma exibição a merecer nota elevada.


# 9.ª Jornada: BENFICA E CASTELO BRANCO, 4 - CALDAS, 1 (20 de Novembro de 1960).

Na crónica do jornalista Bernardo Ceia, do Jornal "A Bola", publicada na edição de 21 de Novembro de 1960, titulava-se: "«Faltou» o Caldas para um despique melhor".

Campo Municipal de Castelo Branco,

Árbitro: António Marques Inês, de Santarém,

SPORT BENFICA E CASTELO BRANCO: Henrique; Juca e Sebastião; Wilson, Henrique Silva e David; Mateus (ex: Lusitano de Évora), Ramos, Graça, José da Costa e Rodrigo Cunha Velho (ex: Belenenses-Reservas). Treinador: António Feliciano (ex: Desportivo de Chaves).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Orlando; Vasco Oliveira, João Resende e António Pedro; Garnacho, Tomé, Janita, Elísio Bispo e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

Marcadores: MATEUS (2), GRAÇA E CUNHA VELHO, pelos locais; JANITA, pelos visitantes.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): No primeiro período, o jogo decorreu em toada de equilíbrio, com leve ascendência dos locais, que foram mais esclarecidos no jogo que desenvolveram, enquanto os caldenses, manobrando com desenvoltura, foram quase sempre inofensivos, por excessos de passes. Após o reatamento, o quarto tento dos locais, logo no primeiro minuto desmoronou completamente todas as possibilidades de reviravolta, porquanto o vencedor estava encontrado. Entretanto, nem por isso os caldenses, dando sempre boa réplica lograram reduzir a desvantagem. Foi então que se jogou melhor. A um minuto do termo, os visitantes desaproveitaram uma grande penalidade...[No Caldas] Janita, António Pedro e Tomé, os de labor mais acertado.


# 10.ª Jornada: CALDAS, 1 - GIL VICENTE, 0 (27 de Novembro de 1960).

Na crónica do jornalista Sousa Varela, do Jornal "A Bola", publicada na edição de 28 de Novembro de 1960, titulava-se: "Prémio de domínio que não de bom jogo".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Isidro Fragoso, de Santarém,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério; António Pedro, João Resende e Orlando; Romeu, Tomé, Janita, Garnacho e Elísio Bispo. Treinador: Mariano Amaro.

GIL VICENTE FUTEBOL CLUBE: Armando (ex: F.C. Porto); Antunes e Faneca; Vieira, Pedro e Ferreira, Manuelzinho, Pepe, Canário, João Mendonça (ex: Vitória de Setúbal) e Sílvio. Treinador: ?

O único golo da partida foi marcado por TOMÉ, aos 21 minutos (66 minutos) da segunda parte, mercê de um bom esforço individual deste jogador.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): Antes de começar o encontro, havia um ambiente de pouca confiança em volta da equipa caldense, dado que esta se via privada, por motivos de doença, de alguns elementos básicos na organização do jogo da equipa, especialmente no ataque. A maneira como o jogo decorreu veio dar razão àqueles que se mostravam apreensivos. Logo que principiou o encontro, e embora a turma local se tenha instalado imediatamente no meio-campo contrário notou-se logo que o sector atacante do Caldas, com exclusão de Tomé, só muito dificilmente penetraria, com algumas possibilidades de fazer golo, na bem organizada defensiva adversária. Mesmo assim, aos 13 minutos, Janita, de cabeça, falhou espectacularmente uma ocasião de fazer funcionar o marcador, Até à meia-hora, a partida continuou a ter o mesmo aspecto: domínio constante mas improfícuo dos caldenses...Na segunda parte, a equipa caldense apareceu profundamente alterada e começou logo a mostrar-se mais perigosa...[que] viu os seus esforços recompensados...com a obtenção de um golo, que viria a ser o da vitória. Depois do golo e porque o Gil Vicente abrandou a sua toada defensiva, buscando o empate, os atacantes caldenses, deixando de ter pela frente a cerrada defesa dos forasteiros, tiveram então, o seu melhor período...No Caldas, que não fez ainda a exibição que os adeptos há tanto esperam, notou-se excesso de veterania...


# 11.ª Jornada: CALDAS, 8 - U. COIMBRA, 0 (04 de Dezembro de 1960).

Na crónica do jornalista Sousa Varela, do Jornal "A Bola", publicada na edição de 05 de Dezembro de 1960, titulava-se: "Uma boa partida com resultado quase certo".

Campo da Mata, nas Caldas da Rainha,

Árbitro: Manuel Neto, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Orlando; Vasco OLiveira, João Resende e Carlos Alberto; Carlos Ferreira, Tomé, Janita, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

CLUBE DE FUTEBOL UNIÃO DE COIMBRA: Negalho; Brito e Lua; Matiota, Severino e Zeca; Locas, Aprígio, Orlando Vieira, Bétinho e Olivar. Treinador: Juan Callichio.

Primeira parte: 4-0, com golos de JANITA, aos 7, 17 e 29 minutos, e TOMÉ, aos 45 minutos.

Na segunda parte, 4-0, com golos de JANITA, aos 18 (63 minutos) e 25 minutos (70 minutos); ANTÓNIO PEDRO, aos 9 minutos (54 minutos), na transformação de uma grande penalidade, e TOMÉ, aos 39 minutos (84 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola"): A partida constituiu um esplêndido espectáculo de futebol, já porque o Caldas realizou, de facto, uma boa exibição, já porque o União de Coimbra, fazendo sempre um jogo aberto, foi um bom colaborador. Parece-nos, no entanto, que merecia o ponto de honra...A equipa caldense fez, neste jogo, a melhor exibição da época, jogando já muito perto daquilo que o valor dos elementos que a compõem pode permitir...


# 12.ª Jornada: BEIRA-MAR, 3 - CALDAS, 1 (11 de Dezembro de 1960).

Na crónica do jornalista João Sarabando, do Jornal "A Bola", publicada na edição de 12 de Dezembro de 1960, titulava-se: "Sem discussão a vitória aveirense".

Campo Mário Duarte, em Aveiro,

Árbitro: Marques da Silva, do Porto,

SPORT CLUBE BEIRA-MAR: Violas; Louceiro (ex: Académico do Porto) e Jurado (ex: Sport Lisboa e Benfica-reservas); Amândio (ex: Desportivo de Chaves), Liberal e Marçal; Miguel (ex: Clube de Futebol "Os Belenenses"), Laranjeira, Calisto, Ruben Garcia (Argentino e ex: Farense) e Paulino. Treinador: Anselmo Pisa (Argentino).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério; Carlos Alberto, João Resende e Vasco Oliveira; Carlos Ferreira, Tomé, Janita, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

INCIDÊNCIA DO JOGO: Vasco Oliveira aos 14 minutos, lesionou-se, saindo do rectângulo do jogo para não mais regressar.

Primeiro tempo: 0-0.

Marcadores: GARCIA (2) aos 46 e 49 minutos e CALISTO, aos 60 minutos, pelo Beira-Mar, JANITA, aos 70 minutos, pelo Caldas.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "A Bola): ...Os caldenses acusando a certa altura a forçada ausência de Vasco [Oliveira] e, sem dúvida, as dificuldades criadas a todo o momento pelo adversário, estiveram apenas discretos...Volvendo ao início do jogo, é mister dizer-se que o primeiro quarto de hora foi disputado de igual para igual. A incursão respondia-se com incursão, a remate com remate. Com o lesionamento casual de Vasco [Oliveira], António Pedro, que vinha reforçando a defesa, sem descurar de todo o ataque recuou mais, e o outro interior, Tomé, tratou de vir ajudar também os sectores atrasados. Como se compreende, o Beira-Mar cresceu, exercendo certa pressão e visando com mais frequência a baliza...Este surto dos beira-marenses não deu fruto em golos, mas o Caldas perturbou-se, algumas vezes, ante a agressividade dos contrários...Depois com o triunfo...cimentado, o Beira-Mar amoleceu relativamente, pelo que o Caldas voltou a restabelecer o equilíbrio territorial e a fazer mais surtidas até às suas imediações. Mas tudo seria baldado...não há que discutir a vitória do Beira-Mar. Este rematou mais e melhor, foi sempre mais perturbante, disfrutou de mais largos períodos de domínio territorial...O Caldas por seu turno, ficando cedo inferiorizado numericamente, tornou-se não raro vacilante, dando todavia indícios claros do seu real valor como equipa em numerosas circunstancias...Entre os visitantes, três nomes fulgiram: António Pedro, que trabalhou muito e talentosamente; João Resende sempre a multiplicar-se na defesa da zona de verdade, e Rita com defesas repetidas e muitas delas brilhantíssimas.


# 13.ª Jornada: CALDAS, 3 - TORREENSE, 1 (18 de Dezembro de 1960).

Na crónica do jornalista do Jornal "A Bola", Sousa Varela, publicada na edição de 19 de Dezembro de 1960, titulava-se: "Jogo pobre e vitória certa".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Renato Santos, de Coimbra,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério, Orlando, João Resende e Carlos Alberto; Carlos Ferreira, Tomé, Janita, António Pedro e Cardoso. Treinador: Mariano Amaro.

SPORT CLUBE UNIÃO TORREENSE: Varatojo; Hermínio e Humberto; José da Costa, Abílio e Luís; Mateus; Saldanha, Ricardo Perez (Argentino), Mendes e Madaleno. Treinador/Jogador: Ricardo Perez (ex: Grupo Desportivo de Peniche).

Primeira parte: 1-0.

Marcadores: JANITA, HUMBERTO (na própria baliza) e TOMÉ, pelo Caldas; MATEUS, pelo Torriense.


CRÓNICA DE JOGO (Jornal "A Bola"): ...O Caldas começou bem enleando com certa facilidade o sector defensivo adversário. Os seus avançados procuraram fazer o seu jogo com passes longos e para a frente que punham em sobressalto a defesa adversária. Assim, aos 7 minutos, António Pedro lançou muito bem JANITA, deixando-o isolado em frente da baliza torriense. Este que, de Domingo para Domingo, vem mostrando cada vez maior confiança nas suas possibilidades, desviou , com um ligeiro toque, o esférico do guarda-redes e introduzi-o na baliza. Parecia que a equipa caldense, já lançada ao ataque e tão cedo na posição de vencedora, não mais perderia o comando do jogo. Puro engano...começou a verificar-se um facto curioso: o Torriense praticava o melhor futebol, dominava, mas as oportunidades mais flagrantes de perigo surgiam exactamente em frente da sua baliza. A equipa local, contra atacando sempre que podia criava oportunidades de golo que o domínio dos forasteiros não fazia surgir...A começar a segunda parte, o aspecto da partida manteve-se...E foi quando se esperava o golo do empate do Torriense que um sopro de desventura atingiu a equipa. O seu defesa-esquerdo, Humberto, iam decorridos 10 minutos (55 minutos), cortou uma avançada caldense e ficou de posse do esférico; Janita, sempre lutador, aproximou-se; perante a chegada do perigoso avançado caldense, HUMBERTO, que nos pareceu ficar perturbado, pretendeu passar a bola ao seu guarda-redes, e com tanta infelicidade o fez que introduziu o esférico na sua baliza. O Torriense acusou o golpe...E o Caldas passou a aparecer com certa insistência ao ataque. Aos 19 minutos (64 minutos), Janita rematou forte. O guarda-redes forasteiro mais não conseguiu do que defender com uma palmada para a frente e TOMÉ, aparecendo oportuno à recarga, não perdoou. Foi o golpe final nas aspirações do Torriense...[que ainda assim] já só conseguia alguns contra ataques e foi num deles, aos 32 minutos (77 minutos) que MATEUS (que tinha sido jogador do Caldas, na Época de 1958/1959) se conseguiu isolar e fazer o ponto de honra de sua equipa...A partida foi quase sempre interessante de seguir dado que deu aos espectadores a possibilidade duma comparação entre o futebol rendilhado e bonito praticado pelo Torriense e o futebol prático de bola a correr sempre para a frente do Caldas. No fim da partida tinha vencido o mais «feio» talvez mas sem dúvida, o mais próprio para ganhar jogos.

FIM DA PRIMEIRA VOLTA.