Caldas Sport Clube 1954/55

Caldas Sport Clube 1954/55

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Taça de Portugal 1959

1.ª ELIMINATÓRIA

1.ª MÃO: CALDAS, 0 - TIRSENSE, 0 (03 de Maio de 1959).

Na crónica do jornalista Arnaldo Barão, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 04 de Maio de 1959, titulava-se: "Dois tipos de jogo mas resultado que está certo".
 
Campo da Mata, com escasso público,
 
Árbitro: Virgílio Leitão, de Lisboa,
 
CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Rogério; Anacleto e Orlando; Janita, António Pedro, Mateus, Romeu e Lenine.
 
FUTEBOL CLUBE TIRSENSE: Vieira; Carriço, Festa (mais tarde notabilizar-se-ia no F.C. Porto, tendo sido um dos "Magriços", que esteve presente no Mundial de 1966, em Inglaterra) e Rechimba, Carlos e Rui; Fernandes, Paulino, Birilio, Pedro e Dino.
 
 
CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo): Num jogo que o Caldas decepcionou, aliado a uma maior lucidez do Tirsense (que também tinha descido, mas para os Regionais), António Pedro, primeiro, e Orlando, depois, desperdiçaram duas grandes penalidades.
 
 
2.ª Mão: TIRSENSE, 1 - CALDAS, 0 (10 de Maio de 1959).
 
Na crónica do jornalista Matos Serra, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 11 de Maio de 1959), titulava-se: "Vantagem escassa para o grande apego dos vencedores".
 
Campo Abel Alves de Figueiredo, em Santo Tirso,
 
Árbitro: Mário Mendonça, de Vila Real,
 
FUTEBOL CLUBE TIRSENSE: Vieira; Carriço, Festa e Joaquim, Carlos e Rui; Fernandes, Paulino, Birilio, Pedro e Albino.

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Rogério; António Pedro e Orlando, Lenine, Löcsey Ferenc, Janita, Mateus e Anacleto.
 
 
CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Birilio, aos 24 minutos, marcou o único golo da partida que eliminou o Caldas prematuramente da Taça de Portugal, num jogo em que o Caldas viveu de esforços isolados...Saraiva o melhor homem em campo (fazia aqui o último jogo pelo Caldas, transferindo-se, de seguida, para o Sport Lisboa e Benfica), António Pedro e Amaro, foram os únicos que se distinguiram numa fraca equipa, na qual o ataque esteve desastrado.
 

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Análise da Época 1958/1959: "A Equipa do Caldas ficou aquêm do ponto onde poderia chegar muito por falta de condições fisícas"...afirmava o Jornal "Mundo Desportivo"

Na edição de 01 de Abril de 1959, do Jornal "Mundo Desportivo", o jornalista António Dias analisa deste modo a última Época do Caldas na 1.ª Divisão. Assim: 

"E chegámos nós a pensar que alcançaríamos esta época a melhor classificação de sempre!" - esta exclamação proferida em jeito de lamento por um dirigente do Caldas Sport Clube quando o sopro final do campeonato traçou o destino irremediável da sua equipa...[Mas] o que houve na equipa caldense a par de bom, que tão douradas contas fez deitar, foi um misto de contratempos inesperados, de casos sem solução, de erros, e também de uma inexorável pouca sorte. A não suceder esta nuvem de contrariedades, é provável que a simpática agremiação do Oeste não estivesse neste momento a braços com baixa de divisão e pudesse mesmo alcandorar-se a posição de realce no «Nacional».

UM PONTO CONQUISTADO AO PORTO, BENFICA, BELENENSES E SPORTING...

A face boa do «team» caldense pôde ver-se através de várias facetas iniludivelmente expostas no decorrer de certos momentos do campeonato...Contra o Benfica, logo na segunda jornada, a equipa ganhou alentos extraordinários, e mercê de uma exibição pletórica de vontade e acerto, não foi denotada. Sucedeu o mesmo que os vice-campeões só muito dificilmente conseguiram empatar. Diante do F.C. Porto, também o Campo da Mata, António Pedro e companheiros fazendo gala o mesmo espírito de luta, não permitiram que o valoroso adversário lhes desse a conhecer o travo da derrota, registando-se o empate. No Restelo, enfrentando o Belenenses, com raro estoicismo, só cederam igualmente um ponto. E para completar a sua irreverência contra os quatro «grandes», do mesmo modo fizeram finca pé ao Sporting não deixando levar mais do que um ponto já na última fase do campeonato. Estas inequívocas provas de capacidade patenteadas pelos caldenses, precisamente em confronto com os mais fortes, ilustram sem sombra de duvida que não lhes escasseava arcaboiço para a luta. Levavam mesmo muito longe o seu brio. Basta remomorarmos neste aspecto, que derrotados em casa pela CUF durante a primeira volta, conseguiram, numa arrancada extraordinária, ir a[o Campo de] Santa Bárbara buscar os dois pontos da vitória, saldando assim as contas. Nestes pormenores, embora traçados sem o cunho de regularidade que o Nacional» requeria, se vislumbra a evidência do estofo marcado pelo penúltimo classificado...

KOVACS, O HOMEM DO VERNIZ, FALHOU POR DOENÇA...

Em equipa tão bem talhada para a luta, com acentuado equilíbrio entre os seus sectores da defesa e meia defesa, onde os nomes de Saraiva, António Pedro e Orlando refulgem como primeiras figuras, faltaria porventura algumas «pedras» para o ataque, a fim de lhe transmitirem a indispensável objectividade. Veio primeiro, o húngaro Löcsey [Ferenc]. Sabedor, mas já no declínio, o seu concurso não podia salvar a equipa dessa lacuna, como não salvou. A esperança, depois, passou a ser Kovacs. Em dois jogos que realizava, durante a digressão que o clube efectuou em terras de Espanha, tanto os jogadores como os próprios dirigentes que acompanharam o «team», ficaram radiantes. Estava encontrado o homem ideal para comandar o ataque, o homem que, além de se mostrar  possante e rematador, possuía ainda no seu estilo o verniz do futebol magiar. E nas Caldas bradou-se: «Aqui está o melhor avançado-centro que até hoje pisou os campos portugueses». Mas, como remate de tanto entusiasmo, nem o Caldas nem Kovacs foram felizes...[pois] após duas tentativas em encontros do campeonato teve de desistir atacado de uma ciática lombar, contraída ainda no seu país, mas agravada em Portugal por causa do clima mais húmido [e porventura o tal micro-clima das Caldas da Rainha tenha ajudado a agravar o seu problema!!!...Mas na Época de 1959/1960 continuou a jogar na 1.ª Divisão Nacional, transferindo-se para o Boavista Futebol Clube, que tinha, entretanto, subido de Divisão, realizando 7 jogos, e marcando apenas 2 golos]. O reflexo do inêxito dos dois húngaros que custaram aos cofres do clube, cerca de oitenta contos, no seio da equipa tornaram-se a certa altura bem visíveis. Uma queda moral que obrigou Fabian [o Treinador, também ele romeno ou húngaro] à última medida: alinhar ele próprio para tentar dentro do terreno, remediar o que remédio não tinha. E quando o grupo veio a refazer-se, já a competição ia muito adiantada, com todas as equipas  escorarem-se ante o abismo da despromoção...Mas acontece que apesar de tudo, o Caldas detém um lote de valores que não se coaduna com o 13.º lugar em que se quedou...Que faltou então para que tanto estes elementos como os restantes não deixassem cair a equipa onde caiu? Não nos custa nada apontar a grande deficiência de que o «onze» caldense enfermou ao longo do «Nacional»: a falta de preparação física, mas uma preparação, séria, metódica...Com um guarda redes regular, dois «backs» lutadores como o são Amaro e Anacleto, um defesa central, Saraiva de inegável mérito e dois médios da estatura de António Pedro e Orlando o grupo não terminaria com a particularidade de ser o que mais golos sofreu (76), se de facto os elementos chaves se encontrassem à altura das circunstâncias, fisicamente.


Cartoon satirizando a descida de divisão de
Caldas e Torriense, tendo como legenda: -
São os vizinhos do último andar que foram
postos na rua!. Amanhã sabe-se lá o que
também nos estará reservado! [dizem os do
Barreirense e da CUF]. Fonte: "Mundo Desportivo".

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

1.ª Divisão - Época 1958/1959 - 2.ª volta

# 14.ª Jornada: CALDAS, 0 - SPORTING DA COVILHÃ, 0 (28 de Dezembro de 1958).

Na crónica do jornalista Guilhermino Rodrigues, do Jornal "Mundo Desportivo", editada no dia 29 de Dezembro de 1958, titulava-se: "Duas grandes virtudes da equipa serrana - Atacar - enquanto foi possível".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: António Calheiros, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Saraiva e Anacleto; Tomás Dantas e Orlando; João Resende, Sarrazola, Mateus, António Pedro e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

SPORTING CLUBE DA COVILHÃ: Rita; Hélder, Lourenço e Couceiro; Martinho e Fernando Cabrita; Manteigueiro, Suárez, Di Lorenzi, Gabriel e Oscar Silva. Treinador: Janos Zorgo.



# 15.ª Jornada: BENFICA, 3 - CALDAS, 0 (04 de Janeiro de 1959).

Na crónica do jornalista José Ilharco, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 05 de Janeiro de 1959, titulava-se: "Rematar muito não chega para se marcar muitos golos...Cavém e Rita - o primeiro a rematar e o segundo a defender".

Estádio da Luz, em Lisboa,

Árbitro: Francisco Guerra, do Porto,

SPORT LISBOA E BENFICA: Costa Pereira; Serra, Artur Santos e Ângelo, Neto e Alfredo; Chino, Mário Coluna, José Águas, Mendes e Domiciano Cavém. Treinador: Otto Glória.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Saraiva e Rogério; Pastorinha e Orlando; João Resende, Anacleto, António Pedro, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

Golos: ÁGUAS, aos 4 minutos e CAVÉM, aos 28 e 59 minutos.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): A indicação de António Pedro a avançado-centro e mera correspondência ao numero - o 9 - que ostentava na camisola, pois o hábil jogador caldense jogou a médio no jeito dos antigos médios-centros. Isso não significou que os visitantes denunciassem preconcebidas ideias defensivas. Nem isso nem mais tarde, o recuo acentuado de Orlando, que se integrou na linha defensiva da sua equipa...O Caldas só foi «team» á defesa quando o maior poder dos benfiquistas caia todo no seu meio campo. Isso sucedeu especialmente a meio da segunda parte. Desafio que de antemão contava perder, fosse qual fosse o processo que escolhesse para a luta, o Caldas optou por um jogo aberto, limpo de intenções, claro como a luminosidade do dia. Ofereceu, assim, á tarde de futebol, o melhor que poderia oferecer, para maior valia de espectáculo. Tirou, porventura, aos que gostam de emoções fortes, o prazer de uma pugna de «esfarrapar», de defesa extrema de cada palmo de terreno, o «suspense» o despique dos avançados do Benfica contra uma barreira formada não importa por quantos homens, cerrada, densa, de varrer a área, de fechar a área, de opor-se, de toda e qualquer maneira, ás infiltrações e aos remates. Em contrapartida, deu impressão, a agradável impressão de que também sabe jogar em suavidade, com esclarecimento, indo até mais longe do que naturalmente passaria, na exteriorização de uma maneira fácil, que acredita as equipas conscientes...Ao Caldas, que deliberadamente enjeitou a, se considerada antipática, legitima defesa intensa das suas redes, não era de exigir mais. Cumpriu a sua obrigação...dando ao adversário ensejo de jogar, se não completamente á vontade porque o Caldas também jogou, e também lutou e bem, ao menos descontraído, sem o espectro dos «ferrolhos» que tanto assusta as grandes equipas...[Na primeira parte] no período justamente em que houve mais equilíbrio territorial...Anacleto, duas vezes, e Mateus, outra, qualquer deles ingenuamente desperdiçaram oportunidades de igualar, o primeiro; de reduzir a diferença, o segundo, visto que quando da jogada do n.º 10 caldense [Mateus] já o Benfica vencia por 2-0. O tento foi marcado na sequência de um livre. Gerou certa confusão e Cavém atirou rasteiro, com Rita encoberto...[Na segunda parte] O Caldas foi forçado a recolher-se mais ao seu meio campo e isso dificultou as infiltrações benfiquistas - e o seu ângulo de tiro. Isso e o crescer de vigor da defesa visitante, todavia sempre calma, com calma suficiente para lançar contra ataques que António Pedro, João Resende e Mateus faziam progredir e ninguém sabia concluir. Por isso o marcador só funcionou mais uma vez. Aos 14 minutos (59 minutos) jogada de mérito total para Cavém - que fez o terceiro golo da sua equipa perante a tardia estirada de Rita...Já dissemos, ou deixámos compreender que Cavém e Rita foram as duas maiores figuras do encontro...A Rita, aos aplausos devidos à sua segurança e valentia(no terceiro golo esteve o seu único deslize), deve ser endereçado um bravo pela serenidade com que suportou durante todo o encontro...a hostilidade de parte do público.


Carregado por Cavém, Rita (os dois principais
protagonistas durante todo o encontro)
defende com segurança. Águas, na expectativa,
também salta. Ao fundo, vê-se um Estádio da Luz
cheio de público para ver este Benfica-Caldas.
Fonte: Jornal "Mundo Desportivo".




# 16.ª Jornada: CALDAS, 1 - BELENENSES, 6 (11 de Janeiro de 1959).

Na crónica do jornalista Manuel Mota, do Jornal "Mundo Desportivo", editada no dia 12 de Janeiro de 1959, titulava-se: "«Recital» Matateu autor de quatro golos!...Contra a força não houve resistência...".

Campo da Mata, nas Caldas da Rainha,

Árbitro: Aniceto Nogueira, do Porto,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita (foi substituído, devido a lesão na coxa direita, por Aurélio); Amaro, Saraiva e Rogério; Anacleto e Pastorinha; Josef Fabian, Löcsey Ferenc, António Pedro, Mateus e Lenine. Treinador/Jogador: Josef Fabian.

CLUBE DE FUTEBOL "OS BELENENSES": José Pereira, Pires, Figueiredo e Carlos Silva I; Carlos Silva II e Vicente Lucas; Dimas, Yaúca, Martinho, Matateu e Tonho. Treinador: Fernando Vaz.

Golos: LENINE (32 minutos); YAÚCA (35 minutos); MATATEU (44, 54, 68 e 71 minutos) e MARTINHO (77 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): O resultado é eloquente, sem dúvida. Mas houve, todavia, um momento que duvidámos do Belenenses. Foi quando a turma local obteve o seu golo, arrastando os visitantes para um período de desorientação...Naturalmente que o tento, para mais saído de «off-side», não constituía motivo de agrado para os visitantes, aliás porque a posição dos caldenses justificaria, da parte destes um redobrar de esforços capaz de ditar uma «solução» diferente da que o vice - «leader» [do campeonato] desejaria...Ainda que o Caldas não deixasse de lançar algumas ofensivas fazia-o sem disciplina de jogo, inexistente a ala direita, particularmente Löcsey, de modo que a sua acção se tornava inoperante...Á medida que o tempo decorria...o Belenenses acentuava a sua vantagem. Não dominava abertamente, instalado todo inteiro no meio campo dos caldenses, mas a sua manobra era envolvente, simples e fácil...Matateu e Yaúca ditavam a «lei» da superioridade incontestável dos «azuis». O n.º 8  (Yáuca) era uma «bola» a entrar na defensiva do Caldas, desnorteada (mesmo Saraiva) e sem força, Matateu dos grandes dias, não dava quartel...fizeram dele [com 4 golos!], no sentido objectivo do desafio, o «herói» das Caldas!...O Caldas bateu-se razoavelmente, muitas vezes bem, até à altura do terceiro golo dos lisboetas. Depois, os melhores, soçobraram...O «team» não denunciou condição física suficiente para se aguentar no debate com os «azuis» e a sua linha avançada não foi além de alguns rasgos de Mateus e Lenine, já que António Pedro jogou atrasado e o par de húngaros [o Treinador/jogador Fabian e Löcsey Ferenc] esteve longe de corresponder ás exigências de uma equipa que precisa de lutar. Löcsey foi um autêntico «verbo de encher»...Rita não deve ser acusado de culpas no terceiro golo. Francamente, não podia...A sua substituição demorou até. Aurélio que entrou para o seu lugar, denunciou qualidades.

No final do encontro ouviram-se ambos os Treinadores:

Do lado do Belenenses, Fernando Vaz afirmou: "O triunfo pertenceu à equipa mais poderosa".

E do lado do Caldas: "Rosto bem marcado pelo esforço produzido o Técnico Fabian afirmou-nos, terminado o encontro: - Não há dúvida. «Eles» têm uma grande equipa. O resultado está certo. Encontrado o caminho das balizas, o Belenenses foi irresistível. Só há que louvar o vencedor.

Perguntou-se: - Porque jogou hoje o Fabian?

- No intuito de ajudar os meus rapazes. No desejo de contribuir para a melhoria da equipa. Alguns demonstraram fadiga e saturação. Mas quem hei-de pôr a jogar? [interroga-se]".


Em acção, no pelado da Mata, o homem do
jogo, Matateu. Neste lance remata para um
dos quatro golos que converteu.
Fonte:"Mundo Desportivo".




# 17.ª Jornada: BARREIRENSE, 3 - CALDAS, 2 (18 de Janeiro de 1959).

Na crónica do jornalista António Dias, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 19 de Janeiro de 1959, titulava-se: "Um rasgo de Faia emergiu da sombra e derrotou a lógica...".

Campo D. Manuel de Melo, no Barreiro,

Árbitro: Hermínio Soares, de Lisboa,

FUTEBOL CLUBE BARREIRENSE: Isidoro; Faneca, Pinto e Abrantes; Correia e Arturo Caballo (Argentino); Oñoro (Espanhol), Faia, José Augusto, Carlos Godoy (Argentino) e Carlos Alberto (ex: Ateneu de Leiria). Treinador: Oscar Tellechea.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Saraiva e Anacleto; António Pedro e Orlando; João Resende, Romeu, Janita, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

1.ª parte: 2-1. Golos de FAIA (8 minutos), ANTÓNIO PEDRO (9 minutos) e JOSÉ AUGUSTO (24 minutos). No segundo tempo marcaram: MATEUS (85 minutos) e FAIA (87 minutos).

CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Mais uma vez o Barreirense venceu, mercê de um rasgo genial do seu interior-esquerdo Faia...Neste desafio, porém, com a particularidade desse rasgo surgir no momento em que a equipa parecia irremediavelmente curvada perante a maior vontade e o indesmentível acerto dos caldenses. Com efeito, a cinco minutos do fim, como corolário de uma inegável superioridade mantida ao longo de toda a segunda parte, Mateus, num lance audacioso e inspirado, colocara nos pés de Janita o golo do empate. E aquela ansiedade vivida pelo público local até aí, transformara-se em desalento...A igualdade de 2-2, obtida elo grupo visitante, afirmava-se desfecho absolutamente lógico. Mas ainda a imagem dos abraços calorosos com que os rapazes das Caldas festejavam o seu golo não se havia diluído do meio do terreno quando um lampejo de classe de Faia, emergido da sombra que envolvera a acção do «team», do Barreiro após o reatamento, derrotou irresistivelmente os caldenses. Primeiro com uma finta desconcertante o n.º 10 local obrigara Saraiva a cometer falta mesmo em cima da grande área, para lhe travar a marcha; depois na marcação do «livre» por Godoy, que se limitara a pequeno toque para o lado, Faia, parecendo ter dinamite nos pés, arrancara remate imparável, o qual nem a «barreira» formada pelos adversários nem a atenção de Rita pôde deter...Tudo breve, tão breve que o inesperado desenlace a todos surpreendeu...O Caldas, era visível em todos os elementos poderia perder, mas não por carência de brio ou ausência de força de vontade. Residiu neste estado de espírito mantido pelos visitantes o despontar de certa inquietação entre os locais. Inquietação aumentada, primeiro pelo pouco que durou a vantagem obtida por Faia, logo aos oito minutos, pois acto contínui António Pedro repôs a igualdade; e mais adiante pela intranquilidade que Isidoro transmitiu aos seus companheiros, já visível na maneira como sofreu o golo, permitindo que a bola enviada por António Pedro tocasse primeiramente no terreno, á sua frente, não indo ao seu encontro captá-la. O certo é que, apesar da boa veia denunciada pelo referido trio barreirense [Faia-José Augusto-Godoy], o Caldas levava facilmente a parar ao reduto defensivo contrário, utilizando uma toada larga, com cruzamentos, por vezes, de extremo a extremo. A vantagem de uma bola ao intervalo expressava, no entanto, com justiça o trabalho realizado pelas duas equipas, porque se na verdade os caldenses tiveram por uma vez ou outra a possibilidade de empatar - e bastaria para isso que Janita se mostrasse com mais atenção ao jogo de Lenine- também a equipa da Outra-Banda somou várias «perdidas», ficando a reforçar esta ideia um disparo do talentoso Faia, que levou o esférico a fazer tabela na trave e a cair em cima do risco fatal, onde Saraiva conseguiu salvar a situação. Mas no segundo tempo a face da partida modificou-se. A prodigiosa actividade de António Pedro, sempre no caminho da bola, voltara a manifestar-se com tal clareza e poder contagiante que o Caldas pôde deixar na sombra o melhor recorte técnico aqui e ali patenteado pelos homens do Barreiro. O que faltou à turma do Oeste foi avançados rematadores. E tanto assim que António Pedro e Orlando, apesar de médios denunciaram ser, neste aspecto os únicos jogadores perigosos para Isidoro.


# 18.ª Jornada: CALDAS, 2 - SPORTING DE BRAGA, 2 (25 de Janeiro de 1959).

Na crónica do jornalista José Valente, do Jornal "Mundo Desportivo", publicado no dia 26 de Janeiro de 1959, titulava-se: "Futebol afogueado [do Caldas] contra futebol disciplinado [do Braga]".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha, numa tarde ventosa.

Árbitro: Viriato Maximiano, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Pastorinha e Anacleto; Orlando e António Pedro; João Resende, Sarrazola, Janita, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

SPORTING CLUBE DE BRAGA: Cesário; Armando, Calheiros e José Maria II; Osvaldo Trenque e Pinto Vieira; Rafael, Ferreirinha, Teixeira, Amador e Fernando Mendonça. Treinador: José Valle.

Golos de JANITA (15 minutos), TEIXEIRA (19 e 36 minutos) e MATEUS (64 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): A equipa caldense [ajudados pelo vento], que teve um começo bastante animador pelo que deixava revelar de pertinácia e de intenção atacante, viu os seus esforços coroados de êxito quando á passagem de um quarto de hora o avançado-centro Janita atirou a bola para as balizas de Cesário, terminando da melhor maneira um centro de João [Resende] que foi desviado pelas costas de um defensor bracarense para a cabeça do rematador...Mas bastaram dois momentos...[que] se transformou em quase completo desnorte [no Caldas]...[que] foram a falha inacreditável de Mateus perante a baliza toda aberta (17 minutos) e o primeiro golo do bracarense: Teixeira (19 minutos)...[pois] o cariz do jogo pendia todo a favor dos caldenses e o golo de Teixeira foi fruto de um evidente erro colectivo da defesa. Pastorinha, Amaro e Rita, com a sua hesitação cada um facilitaram o centro de Fernando Mendonça e o remate do companheiro...[a partir deste lance] a supremacia dos visitantes até ao intervalo traduziu-se por mais um golo de Teixeira...[Na segunda parte o Caldas chegou ao empate através de] Mateus [que] rematou de cabeça e o «keeper» de Braga ainda chegou a tocar na bola. A magnífica estirada [de Cesário] não foi, porém, suficiente para evitar o empate...Ainda com quase meia hora para jogar e com o recrudescimento da emoção provocada pelo golo do buliçoso e perseverante meia ponta dos caldenses [Mateus] esperar-se-ia que o grupo visitado força-se o andamento da partida, desse tudo por tudo, já que a vitória seria o único resultado que as suas condições actuais impunham como objectivo essencial...[Mas não!!! jogaram sempre um jogo afogueado]...Raro se viu um esquema de bola no chão saído da defesa do Caldas...


Um avanço do Caldas, vendo-se, Mateus a
antecipar-se à entrada do guarda-redes bracarense,
Cesário. Fonte: Jornal "Mundo Desportivo".



# 19.ª Jornada: F.C. PORTO, 10 - CALDAS, 0 (01 de Fevereiro de 1959).

Na crónica do jornalista Carlos Barquinha, do Jornal "Mundo Desportivo", editada na edição de 02 de Fevereiro de 1959, titulava-se: "...E metade pertenceu a Teixeira!...Na 1.ª Parte, 1-0. Depois - Quem tal diria!...".

Estádio das Antas, no Porto,

Árbitro: Sousa Duarte, de Coimbra,

FUTEBOL CLUBE DO PORTO: Acúrsio; Virgílio, Miguel Arcanjo e Barbosa; Luis Roberto e Monteiro da Costa; Carlos Duarte, Gastão, Noé, Teixeira e Perdigão. Treinador: Béla Guttmann (Húngaro - que veio substituir Otto Bumbel, que tinha iniciado a época. Mais tarde tornar-se-ia Bicampeão Europeu, ao serviço do Benfica, equipa que serviu nas épocas 1959/60; 1960/61 e 1961/62).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Pastorinha e Rogério; Anacleto e Orlando; Mateus, António Pedro, Janita, Garnacho (que voltou a jogar, após um período longo de recuperação a uma operação ao menisco) e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

Golos: TEIXEIRA (6, 60, 64, 68 e 73 minutos); NOÉ (80 minutos); PERDIGÃO (87 minutos); MONTEIRO DA COSTA (56 e 89 minutos) e CARLOS DUARTE (47 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Ao intervalo o resultado era só de 1-0. O golo de Teixeira fora a nota dominante desse período, não obstantes, dois falhanços de Noé aos 30 e 37 minutos. O Caldas, a jogar com muita cautela, merecera o resultado. Depois de meia hora, conseguira, até, ser visto junto das balizas de Acúrsio, e aos 39 minutos um remate de Janita passou com muito perigo ao lado do poste. Fora este o panorama geral da partida: maior domínio dos «azuis e brancos» e muitas precauções por parte do visitante. Pois bem: uma equipa que, até essa altura, aguentara o resultado na tangente veio a ser superada de um modo que teve tanto de rudez como de justiça. É que o F.C. Porto mereceu os 1-0. Até mais!.



# 20.ª Jornada: CALDAS, 4 - V. SETÚBAL, 1 (08 de Fevereiro de 1959).

Na crónica do jornalista Alberto Ferreira, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 09 de Fevereiro de 1959, titulava-se: "Quem tem unhas...Ofensiva deliberada dos caldenses e tarde "não" da equipa visitante".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha, com pouco público,

Árbitro: Virgílio Leitão, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto e Rogério; Orlando, Saraiva e António Pedro; Romeu, Garnacho, Janita, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

VITÓRIA FUTEBOL CLUBE (DE SETÚBAL): Justino; Pedro Gomes Angolano) e Manuel Joaquim; Alfredo, Polido e Serra; Soares, Miguel, João Mendonça (Angolano), Fernandes e Mateus (Angolano). Treinador: Humberto Buchelli.

Golos: ORLANDO (9 minutos), LENINE (25 minutos), e JANITA (70 e 85 minutos), pelo Caldas e FERNANDES (48 minutos), pelo Vitória.

INCIDÊNCIA DO JOGO: Anacleto lesionou-se, voltando ao campo, inferiorizado, para jogar na extrema-direita.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): O Caldas olhou em redor - e viu, sem deslumbramento, que os golos podiam começar a aparecer dentro desse quarto de hora inicial. Não se equivocou. Aos 9 minutos estava na posição de vencedor-circunstância que correspondia à sua maior desenvoltura, à sua garra e á sua insistência no remate...Aos 25 minutos, o Caldas, afivelado ao ritmo inicial, distanciou-se mais no «marcador». Um pontapé rasteiro de Lenine levou a bola enrolada e falsa ao fundo da baliza de Justino, que foi traído pelo ressalto. Tudo certo. Tão certo que os locais, cientes do próprio valor, cresceram de um modo avassalador. Três ou quatro remates admiráveis de Mateus proporcionaram ao guardião setubalense outras tantas defesas de recorte surpreendente. Logo no reatamento o Caldas ficou reduzido [momentaneamente] a 10 unidades por lesão de Anacleto em lance confuso...Privado o seu defesa direito, o Caldas perturbou-se [e deixou-se empatar]...[E] ao contrário do que se esperava dado que o Caldas actuava com 10 elementos válidos foram ainda os donos do terreno quem, num esforço curiosíssimo, voltaram a trilhar insistentemente o caminho do golo...Mais dois golos do Caldas rubricaram essa superioridade territorial, imposta, mormente pelo irrequieto vaivém de Garnacho, a segurança e o fácil «despacho» de Saraiva e a codicia de Janita, sempre na brecha...e no ritmo preciso para meter a cabeça à bola. A pressão dos caldenses chegou a ser avassaladora, sobretudo á entrada da última meia-hora, com os sadinos a patentearem resignação. O Caldas jogou uma partida interessante. Corajoso na defesa, foi sempre uma equipa de melhor ataque, explorando com acerto a vivacidade de Mateus...[e] movimentação constante de Garnacho, irrequieto, buliçoso e felino...Brilharam, assim de novo alguns trechos daquele «livro de capa verde», abecedário futebolístico do Luís Garnacho, que foi, aos 16 anos, em Luanda, um dos mais discutidos jogadores locais. Saraiva, António Pedro, Romeu e Mateus acompanharam-no excelentemente.



 No Domingo (dia 08 de Fevereiro de 1959),
no Campo da Mata, não menos do que cinco
angolanos actuaram em defesa das cores
do Caldas e do Vitória de Setúbal. Em cima, da
esquerda para a direita: Mateus (Setúbal),
Mateus (Caldas) e Pedro Gomes (Setúbal).
Em baixo, pela mesma ordem: Garnacho (Caldas)
e João Mendonça (Setúbal).
Fonte: Jornal "Mundo Desportivo".



# 21.ª Jornada: LUSITANO, 3 - CALDAS, 1 (16 de Fevereiro de 1959).

Na crónica do jornalista Alberto Ferreira, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 17 de Fevereiro de 1959, titulava-se: "A velocidade de Fialho esteve na base do triunfo".

Campo Estrela, em Évora, numa tarde ventosa,

Árbitro: Joaquim Campos, de Lisboa,

LUSITANO GINÁSIO CLUBE DE ÉVORA: Dinis Vital, Teotónio, Falé e Paixão, Olmedo e Garcia; Fialho, Flora, Caraça, Vicente e José Pedro. Treinador: Lorenzo Ausina.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto, Saraiva e Rogério; Orlando e António Pedro; Garnacho, Romeu, Janita, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

Golos: CARAÇA (2) e FIALHO, aos 39, 65, 81 minutos, pelo Lusitano; e ANTÓNIO PEDRO, aos 24 minutos, pelo Caldas.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Muito sobre a meia-hora, o Caldas (aos 24 minutos), marcou o seu golo, num lance de pertinácia e de excelente visão de António Pedro, que rematou, admiravelmente, com o pé direito, à entrada da área de rigor eborense...Fruto da pressão (eloquente) que os lusitanistas estavam a exercer foi o golo do empate, em jogada inglória originada pela desatenção (ou medo!) do defesa direito caldense [Anacleto] que, tendo perdido o lance em luta, com José Pedro, agarrou o adversário pela camisola, provocando um livre á entrada da grande área. Aconteceu que José Pedro, indisposto com a «agarradela», sacudiu o defesa visitante com uma cotovelada que atingiu no rosto. O livre contra o Caldas [resultou no empate do Lusitano]...Até final do primeiro tempo o domínio do Lusitano acentuou-se  ganhou proporções avassaladoras...A segunda parte do desafio [mostrou um Caldas com uma inépcia e total ausência de garra, o que levou a que o Lusitano a colocar-se] na posição de vencedor. O lance [do 2-1] foi como que o testemunho cruel da insegurança que Saraiva, no eixo da defesa forasteira, vinha manifestando, deixando-se, repetidas vezes, atraiçoar pelos efeitos singulares de bola sempre que impelida pelo vento...E foram ainda os locais que, de novo, fizeram funcionar o marcador, num lance em que,, uma vez mais, a acção do vento foi preponderante. Fialho marcou um pontapé de canto e a bola, no ar «embicou» em cerco para dentro da baliza de Rita [estava feito o 3-1].


# 22.ª Jornada: CALDAS, 0 - SPORTING, 0 (22 de Fevereiro de 1959).

Na crónica do jornalista António Dias, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 23 de Fevereiro de 1959, titulava-se: "Jogo vulgar...Os locais poderiam ter vencido".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,


Árbitro: Carlos Duarte, de Coimbra,

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Anacleto, Saraiva e Rogério; António Pedro e Orlando; Garnacho, Romeu, Janita, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: Octávio de Sá; Mário Lino, Morato e Hilário (Moçambicano); Mendes e Julius; Hugo, Travassos, Martins, Diego e Quim. Treinador: Enrique Fernandez.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Apesar dos caldenses procurarem obstinadamente o golo da vitória, que lhes daria ainda um alento de esperança com vista à «derradeira» luta do campeonato não o conseguiram. Por falta de oportunidades? Não. Porque a despeito da vulgaridade em que o embate decorreu, envolvendo toda a equipa do Sporting como poucas vezes certamente terá acontecido, a «sorte do jogo» não se inclinou para o seu lado. Desta forma, o grupo que mais se pode lamentar do remate é o Caldas. Não que tivesse dominado o seu adversário com insistência bastante que só por si justificasse o êxito, ou mesmo até que a «triste» mediocridade que cingiu a partida do princípio ao fim acabasse por ser menos pronunciada através dos seus movimentos [E depois do jogo alguém gritava do público: "Adeus Sporting até daqui a dois anos - ou talvez não!..." - prognosticando(!) a descida do Caldas à II Divisão Nacional...infelizmente para, até aos dias de hoje, não voltar à I Divisão do nosso futebol].



# 23.ª Jornada: CUF, 1 - CALDAS, 3 (01 de Março de 1959).

Na crónica do jornalista José Valente, do Jornal "Mundo Desportivo", editada no dia 02 de Março de 1959, titulava-se: "O médio António Pedro valeu meia equipa dos caldenses".


Campo Santa Bárbara, no Barreiro,

Árbitro: Inocêncio Calabote, de Évora,

GRUPO DESPORTIVO DA CUF: José Maria; Durand, Palma e Vale; Oliveira e Carlos Alberto; Cravinho, Moreira, Bispo, Arsénio e Uria. Treinador: Cândido Tavares.

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Anacleto, Saraiva e Rogério; António Pedro e Orlando; Mateus, Romeu, Garnacho, Janita e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

No primeiro tempo: 1-2. Golos de MATEUS (14 minutos), URIA (27 minutos) e ANTÓNIO PEDRO de «penalty» aos 39 minutos.

Na segunda parte: 0-1. Golo de LENINE (89 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Enquanto há vida, há esperança...Foi sob esta divisa, em cuja significação havia louvável intento para o melhor esforço, que a equipa das Caldas da Rainha começou o para si decisivo encontro com o grupo da CUF. E saiu-se bem. Teve o prémio da sua aplicação, da sua maneira abnegada como se entregou à luta e do elevado espírito desportivo com que vem encarando esta fase delicada da sua existência entre os melhores do futebol português...Aos poucos o «team» dos visitantes foi tacteando as oportunidades de se apoderar do jogo. Primeiro com as tentativas cautelosas, como que receando entusiasmos que abrissem a defesa e a possibilitassem os golpes do adversário. Depois, um pouco mais afoitos no ataque, começaram a tentar manobras largos de perfuração da defesa da CUF...[o que acabou por surtir efeitos pois] antes de se entrar no segundo quarto de hora de jogo o Caldas colheu o primeiro fruto da maneira inteligente como vinha actuando [chegando ao golo pelo] «elástico» Mateus...[Mas aos 27 minutos um tento (de livre) de grande espectáculo de Uria restabeleceu o empate]...Este tento estimulou o grupo barreirense, que se lançou para um assédio forte e persistente...Subjugada pelo domínio da CUF, a equipa do Caldas fechou-se na defesa. Mas este fechar não correspondeu nunca a perder a ideia de contra-atacar. António Pedro com oportunas retenções de bola, abrindo jogo largo aos seus extremos...era verdadeiramente o fulcro de toda a acção global da sua turma...[numa dessas aberturas largas] solicitou Mateus...A defesa da CUF estava muito adiantada no terreno...A bola galgou por cima da cabeça de palma, e o caldense Mateus partiu para o lance em posição de «off-side». A colocação do árbitro, dada a rapidez do lance não era favorável para julgar da legalidade da jogada. Mas a desatenção do fiscal e linha foi flagrante. Dele colheu benefícios o codicioso...Mateus [que] com o caminho aberto para o golo, entrou na grande área e Palma, que perseguiu carregou o irregularmente (saindo magoado do lance Mateus). António Pedro transformou o «penalty» com um chuto pouco forte mas colocadíssimo. Havia 39 minutos de jogo [com 6 minutos para jogar o Caldas ainda chegaria ao terceiro e último da partida, curiosamente no último minuto, por intermédio de Lenine]...tirando um peso de cima do coração daquelas duas dúzias de caldenses que nunca deixaram de sofrer e aplaudir a sua equipa. 

No final do jogo, ouvido Fabian este afirmou: «Estou satisfeitíssimo. Precisávamos desta vitória. Voltaram as esperanças, agora mais firmes...


A Equipa do Caldas comemora a vitória com a
CUF e o Jornal Mundo Desportivo perguntava,
e ao mesmo tempo alertava: "Teriam eles nessa
altura afugentado de vez o espectro da baixa
de divisão?!". O Caminho que lhes falta percorrer 
encontra-se ainda semeado de perigos".
Fonte: Jornal "Mundo Desportivo".




# 24.ª Jornada: CALDAS, 1 - V. GUIMARÃES, 2 (08 de Março de 1959).

Na crónica do jornalista Guilhermino Rodrigues, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 09 de Março de 1959, titulava-se: "A verdade do jogo ficou expressa no marcador".

Campo da Mata, nas Caldas da Rainha,

Árbitro: Rogério Paiva, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Anacleto, Saraiva e Rogério; Orlando e António Pedro; Mateus, Romeu, Garnacho, Janita e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

VITÓRIA SPORT CLUBE (DE GUIMARÃES): Sebastião; Daniel, Silveira e Abel (jogou no Caldas na Época 1956/57); Barros e Virgílio; Bártolo, Edmur, Romeu, Carlos Alberto e Rola. Treinador: Mariano Amaro.

Ao intervalo: 1-0, golo de ROMEU aos 17 minutos. Na segunda parte, EDMUR, 68 minutos e 87 minutos, fixou o resultado.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): A chuva, que impiedosamente caiu sobre o Campo da Mata, constituiu um factor de influência preponderante no encontro de ontem, que representava um momento decisivo para a correria dos caldenses...Em todo o primeiro tempo ressaltou o espírito de luta e indómita vontade dos jogadores locais que conseguiram mercê desse entusiasmo descontrolar o fio normal do quadro visitante [donde sobressaiam os excelentes jogadores brasileiros do vitória, Edmur e Carlos Alberto]...[O Caldas chegou entretanto ao golo] pouco passava do quarto de hora e nasceu do melhor remate que se registou em todo o encontro [por intermédio de Romeu]...[Mas] o Vitória, mais adaptado [ao terreno enlameado], mais consciente...e mais equipa, passou a assediar com maior frequência a área dos locais...[que provocou] no segundo tempo...á queda gradual da equipa do Caldas...No entanto, é curioso notar que nestes quarenta e cinco minutos [finais] o Caldas desfrutou das melhores e mais flagrantes oportunidades de golo, forjados, é certo, em lances fortuitos mas nem por isso menos dignas de melhor sorte. Iam decorridos dez minutos quando Mateus, acorrendo a um despacho longo de António Pedro, ganhou no despique a Silveira e desviou no último instante a bola do alcance de Sebastião mas ele caprichosamente roçou o poste e saiu. Até final, Mateus havia de transformar-se no símbolo de infelicidade do Caldas ao repetir mais duas vezes aquele lance. Sem forças, sem sorte e sem estímulo os locais acabaram por sair derrotados com toda a naturalidade, pois os dois golos que sofrera partira dos pés de um jogador, Edmur...Mas apesar disso, foi ainda o factor sorte que influiu na fixação do resultado, pois a bola tabelou em Anacleto antes de ultrapassar o risco fatal...

Mariano Amaro, treinador do Vitória e antigo Técnico do Caldas, no final disse: "Viemos para ganhar e conseguimo-lo com justiça. Tenho pena que tivesse acontecido com o Caldas, um clube que eu levei á 1.ª Divisão, mas o futebol é assim".


# 25.ª Jornada: CALDAS, 2 - TORREENSE, 1 (15 de Março de 1959).

Na crónica do jornalista António Dias, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 16 de Março de 1959, titulava-se: "O golo de Mário chegou tarde demais".

Campo das Covas, em Torres Vedras,

Árbitro: Manuel Lousada, de Santarém,

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Anacleto; António Pedro e Orlando; Mateus, Sarrazola, Garnacho, Janita e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

SPORT CLUBE UNIÃO TORREENSE: Pinheiro; António Costa, Forneri e Mergulho; José da Costa e António Manuel; Narciso, Saldanha, Mário, Azevedo e Bezerra. Treinador: Evaristo Silva.

Golos: LENINE (3 minutos), SARRAZOLA (27 minutos) e MÁRIO (33 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Ante o esboço do jogo fica a pairar de que sendo o Torriense o grupo que conseguiu impor durante mais tempo a sua vontade, esse seu esforço não teve a devida compensação. O empate talvez fosse o resultado mais lógico. É, porém, de salientar que, enquanto os avançados visitantes pouco ou quase nada rematavam. O Caldas evidenciou-se neste aspecto...O grupo vencedor contou com dois homens Orlando e Sarrazola em bom nível. O primeiro «empurrando» a equipa para a ofensiva e o segundo impondo ao ataque uma toada essencialmente objectiva.


# 26.ª Jornada: ACADÉMICA, 11 - CALDAS, 0 (22 de Março de 1959).

Na crónica do jornalista Cunha Martins, do jornal "Mundo Desportivo", editada em 23 de Março de 1959, titulava-se: "O contra-ataque [da Académica] rendeu onze golos".

Estádio Municipal de Coimbra,

Árbitro: Hermínio Soares, de Lisboa,

ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA: Cristóvão; Delfim, Torres e Bento; Samuel e Marta, Duarte, Daniel Chipenda (Angolano), Miranda, André e Rocha. Treinador: Otto Bumbel.

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Anacleto, Saraiva e Rogério; Pastorinha e Orlando, João Resende, Garnacho, António Pedro, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

Marcadores: DANIEL CHIPENDA (3, 8, 9, 33 minutos); DUARTE (22, 45, 55 minutos); ROCHA (47 e 88 minutos); ANDRÉ (50 minutos) e MIRANDA (59 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): [No último jogo do Caldas Sport Clube no Campeonato Nacional da I Divisão de Futebol, verificou-se que] Na verdade a correcção e aprumo e dignidade com que António Pedro e seus camaradas(!) aceitaram a penosa marcha de uma partida que «à priori» derrubava as melhores esperanças de um melhor futuro merece mais vivos encómios e sinceras felicitações. A equipa vai para a 2.ª Divisão mas sai de cabeça erguida que no final dos 11-0 ainda possuí força moral e nobreza para felicitar os seus vencedores...Se é possível o Caldas sentir qualquer consolação nesta hora, somos nós que de algum modo para tanto contribuíramos com os sinceros parabéns pela forma dignificante como a turma [caldense] se portou no último acto entre os grandes [do nosso futebol].


FIM DA SEGUNDA VOLTA E DA ÉPOCA 1958/1959.

O CALDAS SPORT CLUBE, entre 14 equipas, ficou posicionado na 13.ª posição (penúltima posição), com 16 pontos conquistados, não conseguindo garantir a sua permanência na Divisão principal do futebol nacional (esteve, como já vimos, 4 Épocas na I Divisão), com 5 vitórias; 6 empates; e 15 derrotas, tendo marcado 33 golos, mas sofrido 76. Tendo sido o seu melhor marcador, o jogador LENINE, com 8 golos marcados. Numa Época, em que o FUTEBOL CLUBE DO PORTO se sagrou Campeão Nacional (e, curiosamente só ganharia o próximo título de Campeão, passados 19 anos, na época de 1977/78), acabaram por descer à II Divisão Nacional, por terem ficado em 12.º, 13.º e 14.º lugar respectivamente, o BARREIRENSE (por ter perdido o jogo de permanência com o BOAVISTA, da II Divisão), CALDAS e TORRIENSE (estes dois últimos, com a curiosidade de terem ascendido à I Divisão na mesma época, a de 1954/1955).




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

1.ª Divisão - Época 1958/1959 - 1.ª volta

# 1.ª Jornada: SPORTING DA COVILHÃ, 6 - CALDAS, 3 (14 de Setembro de 1958).

Na crónica do jornal "Mundo Desportivo", na edição de 15 de Setembro de 1958, da autoria do jornalista Matos Serras, titulava-se: "Os «Serranos» chegaram à meia dúzia e descansaram. Os caldenses espevitaram, então".

Estádio José dos Santos Pinto, na Covilhã,

Árbitro: António Calheiros, de Lisboa,

SPORTING CLUBE DA COVILHÃ: Rita; Hélder, Lourenço e Couceiro; Lanzinha e Fernando Cabrita, Manteigueiro, Di Lorenzi (Argentino), Suárez, Martinho e Oscar Silva (Argentino). Treinador: Janos Zorgo (Húngaro).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Anacleto, Saraiva e Rogério, Tomás Dantas e Pastorinha; João Resende, António Pedro, Orlando, Mateus (Angolano e ex: Nacional da Madeira) e Lenine. Treinador: Josef Fabian (Romeno-Húngaro e ex: Sporting da Covilhã).

Ao intervalo: 3-1. Golos: MARTINHO, 2 (5 e 39 minutos), TOMÁS DANTAS na própria baliza (23 minutos), SUÁREZ, 2 (30 e 47 minutos), DI LORENZI (53 minutos) pelo Covilhã; ORLANDO, 2 (20 e 72 minutos) e ANTÓNIO PEDRO (90 minutos) pelo Caldas. 


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): A primeira fase abrange os vinte minutos iniciais, em que as duas equipas actuaram, por assim dizer em constante adaptação, mútuo receio e não menor hesitação. Ao tento «serrano» de belo recorte, seguiu-se a igualdade quando esta não parecia iminente, uma vez que os danos do campo se mantinham em porfiada acção ofensiva. Um contra-ataque dos visitantes resultou e trouxe maior animação ao embate. Até então, era visível o equilíbrio de forças, porquanto não se pressentia para que lado viria a inclinar-se o triunfo. O segundo período compreende o espaço de um quarto de hora no qual foi forjado o êxito dos beirões mercê da obtenção de três golos...Era notório o agrado suscitado nos seus adeptos pela exibição dos covilhanenses e, a avaliar pelo que se passara á beira do descanso havia o convencimento de que os caldenses soçobrariam inevitavelmente na segunda parte. Esse estado de espírito mais se avolumou quando logo após o reatamento surgiu novo golo dos sportinguistas da serra...Ainda nos primeiros minutos [da segunda parte] veio o 6-1. Tudo certo, dentro da lógica e consentâneo com o desenrolar do prélio. Mas...não obstante o avolumar de tentos, os jogadores do Caldas mantinham-se animosos sem desfalecimento...Uma desatenção de Cabrita, custou um golo; dois pontapés de canto cedidos por Hélder causaram calafrios; um golo quase certo foi desperdiçado por António Pedro e nos derradeiros segundos surgiu um novo ponto (golo) caldense. Como foi diferente a disposição registado nos serranos ao intervalo e no final da contenda...e o Caldas não impressionou, ou porque os seus jogadores chegados na véspera de digressão a Espanha, acusassem o esforço dessa viagem, ou porque a adaptação esboçada por Fabian esteja ainda em curso...A sua melhor unidade continua a ser o incansável António Pedro.


# 2.ª Jornada: CALDAS, 1 - BENFICA, 1 (21 de Setembro de 1958).

Na crónica do jornalista António Dias, do Jornal "Mundo Desportivo", editada no dia 22 de Setembro de 1958, titulava-se: "Um golo caído do céu...deu o empate ao «Encarnados»...Ao ataque lisboeta faltou imaginação e poder".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,


Árbitro: Jovino Pinto, do Porto,


CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Anacleto; Tomás Dantas e Orlando; João Resende, Romeu, Janita, António Pedro e Lenine. Treinador: Josef Fabian.


SPORT LISBOA E BENFICA: Costa Pereira; Fernando Ferreira, Artur Santos e Ângelo; Alfredo e Salvador; Vieira Dias, Mário Coluna, José Águas, Mendes e Domiciano Cávem. Treinador: Otto Glória.

Ao intervalo: 1-0. Golos: LENINE (7 minutos) e JOSÉ ÁGUAS (89 minutos).



INCIDÊNCIA DO JOGO: O benfiquista Ângelo foi expulso aos 62 minutos conjuntamente com o jogador Lenine do Caldas.




CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Já a descrença invadira as gentes do Benfica, já os esforços dos seus jogadores, como gigantes que se debatem no derradeiro estertor do seu alento, pareciam condenados a inglória finalidade, quando qual dádiva caída do céu, apareceu o golo que afastou a equipa encarnada da derrota [e]...num assomo de irreprimível satisfação, caíram todos num «cacho» sobre Águas, o autor da façanha, como se ele fosse - e foi - o salvador que libertasse o «team» do abismo...Desconcertante, verdadeiramente desconcertante foi a velocidade com que o grupo das Caldas começou o desafio. Os jogadores pareciam ter asas nos pés...Essa velocidade desenvolvia-se no encadeamento de um plano que tinha por principal objectivo «matar toda a organização do »team» benfiquista no meio do terreno, e, depois, na sequência desse mesmo plano, traçar a esquematização indispensável para demolir o sistema defensivo dos «encarnados»...Acabou precisamente por ser no desbobinar de uma «imagem» destas que o Caldas obteve o seu golo - e que golo!. Não tanto pela finalização o remate de Lenine que lhe deu origem não foi perfeito - pois a bola por pouco que não ia sendo «safada» de cima do risco por Artur. Mas a sua concepção foi um «tratado de futebol». António Pedro - e logo se vê que outro não podia ser! - com a bola  colada aos pés e dando a sensação de ir «desenhar» o lance pela direita, fez incidir sobre este flanco a atenção do defesa lisboeta, ao mesmo tempo que, com um «passe de bandeja», colocou o couro nos pés de Lenine, como que a dizer-lhe: - Toma e não desperdices o meu trabalho!. E assim foi...Com efeito, se em várias facetas o Caldas se evidenciou superior ao Benfica...na organização defensiva residiu a sua maior vantagem. Tanto Saraiva como Amaro, como Anacleto - quase não tiveram uma falha, tão primorosos se mostraram durante todo o desafio. Vítor foi um excelente colaborador deste trio, tendo, mesmo actuação brilhante. Só aquela saída em falso de que resultou o golo do Benfica o traiu. Dos restantes, António Pedro (bem acompanhado por Orlando), Dantas e João foram os elementos que atingiram nota mais elevada.

Na edição do Jornal "Mundo Desportivo", datada de 24 de Setembro de 1958, o jornalista Couto e Santos entrevista o treinador brasileiro do Benfica, Otto Glória, fazendo este a análise ao jogo que tinha efectuado com o Caldas Sport Clube, afirmando que: "O que se passou nas Caldas foi o resultado de uma série de circunstâncias: Campo pelado...Modo de jogar do adversário...um golo contra a corrente de jogo..."



# 3.ª Jornada: BELENENSES, 0 - CALDAS, 0 (28 de Setembro de 1958).

Na crónica do jornalista Vasco Rocha, no Jornal "Mundo Desportivo", na edição de 29 de Setembro de 1958, titulava-se: "Os visitantes souberam organizar-se tão bem à defesa que acabaram por merecer o resultado".

Estádio do Restelo, em Lisboa,

Árbitro: Isidro Fragoso, de Santarém,

CLUBE DE FUTEBOL "OS BELENENSES": José Pereira; Pires, Figueiredo e Carlos Silva; Moreira e Vicente Lucas; Abdul (Moçambicano), Mendes, Matateu, Yaúca (Angolano) e Martinho. Treinador: Fernando Vaz (Treinador do Caldas Sport Clube na Época 1956-1957).

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Anacleto; Tomás Dantas e Orlando, João Resende, Romeu, Mateus, António Pedro e Rogério. Treinador: Josef Fabian.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Já na época passada viramos o Caldas S.C. alcançar sensacional vitória sobre o Belenenses no Estádio do Restelo. Nesse ambiente, como o de ontem, que terminou com o empate de zero a zero, os caldenses alicerçaram o êxito numa defesa metódica, serena e bem a propósito, que a exibição dos visitantes  no encontro de ontem foi em todos os pormenores superior à realizada na outra época...Os caldenses logo de início fizeram saber que estavam dispostos a socorrer-se de um sistema defensivo capaz de neutralizar a acção atacante dos adversários...Tudo era simplicidade nos movimentos defensivos dos caldenses. Calma, apurado domínio de bola, discernimento na execução dos passes e desmarcações. Por vezes até, preciosíssimos individuais que arrancaram exclamações de surpresa. Alguns ataques dos belenenses realmente perigosos, foram desfeitos pelos caldenses com a mais soberana das tranquilidades, a roçar pela indiferença...Na sua faina recuada, consciente e perfeita, baseada no poder de antecipação, no tempo de entrada e na concepção dos passes e das desmarcações, favorecidos por apreciável domínio de bola, os caldenses como é óbvio, procuraram ordenar contra-ataques, mas estes só no declinar do jogo lhes saíram com mais acerto e convicção...O Caldas...menos ambicioso, actuou com a ideia na obtenção de um empate...que no final da partida festejaram o «nulo» como se a vitória se tratasse...Na equipa do Caldas S.C. há, desde já, que salientar a actuação de cinco jogadores: Vítor (guarda-redes), Saraiva (defesa-central), Dantas e Orlando (médios) e António Pedro (interior-esquerdo)...A magnífica acção desses cinco jogadores transmitiu confiança e personalidade á equipa caldense.


Na sequência de um lance, no Restelo: O
guarda-redes Vítor, do Caldas S.C. defende
com o punho, antecipando-se a Yaúca e Saraiva.
Fonte: Jornal "Mundo Desportivo".


E a equipa do Caldas, que empatou, neste
dia 28-09-58, no Restelo. Em pé, da esquerda
para a direita: Vítor, Anacleto, Saraiva, Dantas,
Orlando, Amaro e Aurélio (guarda-redes suplente,
que não jogou). Agachados, pela mesma ordem:
João Resende, Romeu, Mateus, António Pedro e
Rogério.


# 4.ª Jornada: CALDAS, 4 - BARREIRENSE, 3 (05 de Outubro de 1958).

Na crónica do jornalista António Dias do Jornal "Mundo Desportivo", publicado no dia 06 de Outubro de 1958, titulava-se: "O resultado premiou com justiça a equipa que mais fez por merecê-lo".

Campo da Mata, nas Caldas da Rainha,

Árbitro: Hermínio Soares, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Anacleto; Tomás Dantas e Orlando, João Resende, António Pedro, Löcsey Ferenc (Húngaro), Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian (tinha sido Treinador/Jogador do Barreirense nas Épocas 1955/1956 e 1956/1957).

FUTEBOL CLUBE BARREIRENSE: Braúlio; Faneca, Silvino e Abrantes; Pinto e Lança; Correia, Roleta, José Augusto, Faia e Madeira. Treinador: Oscar Tellechea (Argentino).

Ao intervalo: 2-1.

Golos: ANTÓNIO PEDRO (9 minutos de penalty), MADEIRA (13 minutos), MATEUS (41, 55 e 63 minutos) e PINTO (78 e 81 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Se, a cinco minutos do fim, o imaginoso Faia não falha estrondosamente a oportunidade que conseguiu criar, e marca a quarta bola da sua equipa, que seria a do empate, o Barreirense teria cometido, sem dúvida, extraordinária proeza. A perder por 4-1, a menos de um quarto de hora de jogo, a recuperação dos visitantes acabaria sensacionalmente. Mas falhou...O sinal de rebate [dado pelos caldenses] foi dado pelo diabólico Mateus que...à beira do intervalo numa abertura em profundidade [o encontra] lançado a toda a brida a caminho das redes de Braúlio. Galga a defesa e, com um toque vagaroso - a baliza do Barreirense estava ás escancaras - encostou o esférico ás malhas. Não há dúvida: só com a velocidade diabólica imprimida por Mateus, o lance poderia resultar como resultou. Com o descanso chegado logo a seguir essa tendência do n.º 10 caldense poderia esfriar...Mas não. Estimulado com aquele golo-surpresa e mais confiante nas suas possibilidades Mateus voltou, no segundo tempo, com «fogo» nos pés. E como a essa melhoria correspondesse também um maior acerto tanto dos seus companheiros do ataque, onde o húngaro Ferenc desempenhava o papel de criador de lances decisivos, como da defesa, onde Saraiva algo incerto na primeira parte, mostrava agora aquela segurança nas intervenções que lhe é peculiar - o Caldas encontrou então o ritmo que o havia de conduzir inabalavelmente à vitória. Um passe «mortal» para a frente de Mateus foi concluída por este com um remate fulminante que deu o terceiro golo para logo a seguir - aos 63 minutos - o mesmo Ferenc com outro passe de igual qualidade, proporcionar ao seu interior-esquerdo [Mateus] um golo de rara beleza e espectaculosidade - o quarto. Em desequilíbrio á meia volta, e antes que Pinto pudesse intervir - a bola saiu dos pés de Mateus levando o selo de inevitável do 4-1...O triunfo caldense é o resultado justo para o grupo que mais fez por o alcançar. Mas não há dúvida de que esse triunfo este à beira do fim muito comprometido e valeu na circunstancia aquele falhanço de Faia a que aludimos no início desta crónica...No Caldas estreou-se Ferenc Loescy [ou Löcsey]. O mais velho dos dois húngaros que o clube contratou. Kovacks [ou Kovacs] ainda não tem autorização para alinhar. Ferenc apesar de actuar a avançado-centro mostrou não reunir já as condições para «goleador». Jogador inteligente viu-se mais pelos excelentes passes que executou dois dos quais proporcionaram a Mateus dois golos de bandeira. Este Mateus foi a revelação do Caldas. Ausente há tempos da equipa reapareceu num momento feliz. Três golos que esta semana vão ser glosados nas Caldas com um nunca mais acabar de elogios. Os restantes elementos acompanharam com certo equilíbrio a boa veia e Mateus. Só Amaro e Vítor tiveram lapsos muito comprometedores. Vá lá que não sucedeu o pior...


 # 5.ª Jornada: SPORTING DE BRAGA, 4 - CALDAS, 2 (12 de Outubro de 1958).

Na crónica do jornalista Rodrigues Teles do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 13 de Outubro de 1958, titulava-se: "A tarefa dos vencedores não foi isenta de preocupações".

Estádio 28 de Maio, em Braga,

Árbitro: Abel da Costa, do Porto,

SPORTING CLUBE DE BRAGA: Cesário (Nogueira); Armando, Calheiros e José Maria II, Passos e Osvaldo Trenque, Rafael, Ferreirinha, Teixeira, Fernando Mendonça e José Maria. Treinador: José Valle (Argentino).

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Anacleto; Tomás Dantas e Orlando; João Resende, Löcsey Ferenc, António Pedro, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

CURIOSIDADE: Houve troca de guarda-redes no Sporting de Braga - Cesário por Nogueira. A regra permitia a substituição entre guardiões, em qualquer situação de jogo (ex: opção do treinador ou lesão), ao contrário dos outros jogadores de campo, que continuavam a não poder ser substituídos, mesmo que se lesionassem, tinham de se manter em campo.

Golos: Aos 4 minutos, TEIXEIRA, 1-0; aos 10 minutos, MATEUS, 1-1; aos 11 minutos, FERNANDO MENDONÇA, 2-1; aos 74 minutos, LENINE, 2-2; aos 78 minutos, TEIXEIRA, 3-2; e aos 86 minutos, FERNANDO MENDONÇA, 4-2.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): O Sporting de Braga experimentou algumas dificuldades perante um adversário combativo e tão difícil que chegou, por duas vezes, ao empate, dentro dele se mantendo em condições de provar que o merecia...Teve alguma sorte o clube minhoto, devido ao facto dos caldenses consentirem dois golos precisamente sobre os empates. Não conseguiram, assim, os visitantes saborear por muito tempo a possibilidade de arrancarem pelo menos um ponto ao adversário...Os bracarenses procuraram resolver a situação o mais cedo possível e alguma sorte tiveram quando, aos 4 minutos, obtiveram o seu primeiro tento. Então pareceu que o Caldas não acusava o toque, visto que criou por vezes situações difíceis no sector ofensivo dos donos da casa. O seu empate não teve, porém, a duração que se pensava e os bracarenses, quatro minutos em vencedores, conseguiram chegar ao intervalo com a vantagem de um golo: 2-1. No princípio da segunda parte procurou o Caldas o empate a todo o transe. Obtido este ainda os minhotos tiveram uma aragem de sorte para voltarem a colocar-se em vencedores pela diferença mínima (3-2)...A solidez da defesa visitante, porém, especialmente de Saraiva, pôde opor-se ainda durante muito tempo aos avançados do grupo local e se as coisas não correram a este tão bem como pareciam a verdade é que o quarto golo «matou» por completo as aspirações do Caldas.


# 6.ª Jornada: CALDAS, 2 - F.C.PORTO, 2 (19 de Outubro de 1958).

Na crónica do jornalista António Dias do Jornal "Mundo Desportivo", publicada na edição de 20 de Outubro de 1958, titulava-se: "A «razão» do mais forte nem sempre vinga".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Raúl Martins, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor; Amaro, Saraiva e Anacleto; António Pedro e Orlando, João Resende, Löcsey Ferenc, Sándor Kovács, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

FUTEBOL CLUBE DO PORTO: Pinho; Virgílio, Miguel Arcanjo e Barbosa; Luis Roberto (Brasileiro) e Monteiro da Costa; Carlos Duarte, Gastão, Osvaldo Silva, Teixeira e Hernâni. Treinador: Otto Bumbel.

Ao intervalo: 1-2 a favor do Porto.

Golos: LÖCSEY FERENC (24 minutos); OSVALDO SILVA (35 minutos); GASTÃO (37 minutos) e ANTÓNIO PEDRO (aos 81 minutos).

INCIDÊNCIA DO JOGO: Virgílio ao disputar uma bola [lesionou-se no início da segunda parte]...a pontos de ficar incapacitado para o resto da partida, pois quando regressou ao terreno, passado um quarto de hora, foi mais para fazer numero.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Que um golo não é avanço que possa tranquilizar qualquer equipa, por mais poderosa que seja e por mais que a sua superioridade se avolume no decorrer do jogo - foi imagem que ontem ficou bem vinculado no Campo da Mata. De facto, depois de ter obtido dois golos de rajada na última dezena de minutos do primeiro tempo...a equipa portuense parecia encaminhada no sentido de contradizer desta vez as dificuldades que é hábito encontrar nas Caldas da Rainha...O Caldas dava realmente a impressão de equipa conformada, já sem forças nem raciocínio para lutar com o maior poder dos portuenses. Não que baixasse os braços e se entregasse «ao destino» que o adversário lhe apontasse. Não. Enquanto houvesse um sopro de alento o embate continuaria até ao fim. Mas o F.C. Porto estava na «mó de cima» e desaloja-lo quase parecia impossível. Perto do fim (faltavam apenas nove minutos ara o encontro terminar), um lance imprevisto acabou não só por conduzir a turma de Fabian ao empate, como ainda, num alarde de extraordinária vontade, coloca-la ante a possibilidade de vitória...Mas acto contínuo também esta acabou por se afastar do seu caminho, quando Lenine falhou um remate com Pinho fora da baliza do F.C. Porto. Mas não há dúvida de que se o empate já é lisonjeiro para o «team» das Caldas, esse terceiro golo, que seria a do triunfo, traria com ele um caudal de injustiça. O destino às vezes também se compraz em não se tornar demasiado impiedoso...A equipa do Caldas...faltou clareza ao seu jogo de ataque e faltou também quem pudesse «intimidar» a defesa portista com infiltrações pelo seu terreno. Kovacs, que finalmente se estreou no meio da maior expectativa, se não desiludiu de todo, deixou no entanto muita gente na dúvida. «Travou» muito o jogo e evidenciou pouca velocidade o que diminuiu sensivelmente as possibilidades de um avançado-centro. Contudo - é de considerar que o jogador húngaro não está ainda afeito ao nosso ambiente, o que deve ter diminuído as suas faculdades. Os jogos futuros poderão dizer se assim é ou não... [o melhor elemento do Caldas foi] Mateus...um trabalhador incansável aparecendo em toda a parte...Orlando e António Pedro esforçavam-se por coordenar o jogo da equipa, mas não foram muito felizes. No entanto, foram eles os dois que «construíram» o golo do empate.


# 7.ª Jornada: V. SETÚBAL, 4 - CALDAS, 2 (26 de Outubro de 1958).

Na crónica do jornalista David Sequerra (mais tarde vai exercer funções de Seleccionador Nacional de Juniores, conjuntamente com José Maria Pedroto, que viriam a ganhar o Campeonato Europeu da categoria em 1961, tendo exercido, mais tarde, entre 1968 e 1970, o mesmo cargo) do Jornal "Mundo Desportivo", editada em 27 de Outubro de 1958, titulava-se: "A inspiração de Fernandes deu forma e valor á vitória dos sadinos".

Campo dos Arcos, em Setúbal,

Árbitro: António Calheiros, de Lisboa,

VITÓRIA FUTEBOL CLUBE (DE SETÚBAL): Justino; Soares, Orlando e Manuel Joaquim; Polido (ex: Lusitano de Évora) e Casaca; Inácio, Miguel, João Mendonça, Fernandes (capitão) e Virgílio (ex: Palmelense). Treinador: Humberto Buchelli.

CALDAS SPORT CLUBE: Vítor (por ter-se lesionado num pé foi substituído por Aurélio, aos 14 minutos); Rogério, Saraiva e Anacleto; António Pedro (capitão) e Orlando; João Resende, Löcsey Ferenc, Sándor Kovács, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

INCIDÊNCIAS DO JOGO: Além da lesão de Vítor, o húngaro do Caldas, Löcsey Ferenc também se lesionou, aos 55 minutos, o que implicou uma alteração do ataque (do Caldas) pelo deslocamento do húngaro lesionado para o extremo (dado que não podia ser substituído).

1.ª parte: 2-1.

Golos: FERNANDES (aos 13, 68 e 70 minutos); INÁCIO (17 minutos); ANTÓNIO PEDRO (31 minutos); e ORLANDO (76 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Num pormenor esteve sempre o Vitória uns furos bem acima dos caldenses: referimo-nos à congregação de esforço, á noção de equipa, transmitida desde o início do jogo, e atingido, por alguns minutos, nível que merece realce...O ataque do Caldas vivia de assomos esporádicos e era penoso ver-se tanto jogo excelentemente criado pelo «binário» de médios, António Pedro e Orlando, desperdiçado em catadupas pelos avançados. A robustez e pujança de Kovacs, criou alguns momentos de perigo para Justino, permitindo-nos uma ideia geral sobre o húngaro que dizem ser sósia do categorizado [László, Ladislao ou Ladislau] Kubala [jogador húngaro do Futebol Clube de Barcelona]: é elemento de boa categoria, mas muito pouco rodado, de mobilidade por demais condicionada ao excesso de peso que aparenta ter. Mesmo assim, pertenceram-lhe as tentativas mais importantes da redução do «score» num tipo de futebol intencional, que ninguém mais cumpria entre os «alvi-negros»... No Caldas, Orlando chegou a ombrear com Fernandes quanto à honraria de ser tido como o melhor em campo. Jogou e fez jogar, sem quebra de velocidade, com apego notável e surpreendente bitola técnica...Acompanharam-no bem o «habitual» António Pedro, João Resende, Lenine e Mateus. Este último teve uma 2.ª. parte admirável, revelando-se um «dribleur» famoso, na linha dos melhores, que vemos normalmente por cá, com o acréscimo de mérito em procurar sempre progredir no terreno, «driblando» no caminho da baliza, sem feligranados inúteis.


# 8.ª Jornada: CALDAS, 1 - LUSITANO DE ÉVORA, 2  (02 de Novembro de 1958).

Na crónica do jornalista José Valente, publicada no dia 03 de Novembro de 1958, no Jornal "Mundo Desportivo", titulava-se: "Os Eborenses «ganharam» na defesa".

Campo da Mata, nas Caldas da Rainha,

Árbitro: Viriato Maximiano, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Aurélio; Amaro, Saraiva, Anacleto, Tomás Dantas e Orlando; João Resende, António Pedro, Sándor Kóvacs, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

LUSITANO GINÁSIO CLUBE DE ÉVORA: Dinis Vital; Teotónio, Falé, Paixão, Olmedo (Paraguaio) e Garcia; Fialho, Quinito, Caraça, Batalha e José Pedro. Treinador: Lorenzo Ausina.

Primeiro tempo: 0-1.

Golos de QUINITO (1 minuto), OLMEDO (75 minutos) e SARAIVA (83 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Um atraso do médio Orlando, no passe, e a falha que se lhe seguiu do defensor Saraiva, que inutilmente tentou cortar o lance entre Batalha, José Pedro e Quinito, ficaram a assinalar o erro maior, não o único, cometido pela cortina defensiva dos caldenses. Esse erro, logo no minuto inicial, foi oportunamente aproveitado pelo endiabrado e hábil Quinito, que sem hesitações no remate, atirou na passada, o primeiro golo da partida...Já no segundo golo dos eborenses, a quinze minutos do final do encontro, o jovem e prometedor Aurélio não ficou totalmente isento de culpas...O remate do paraguaio Olmedo, embora muito forte e bem dirigido, passou por cima dos braços. Mas a longa distancia percorrida pela trajectória da bola deu toda a impressão de tornar viável a intercepção mal esboçada...A equipa caldense pecou primeiro por impor uma toada de jogo alto e invariavelmente afunilado e, depois por não tentar corrigir esse defeito quando reconheceu que ele era a pior arma a usar contra um adversário que lhe era superior em poder de choque...Em boa verdade o ataque caldense não criou uma situação clara de golo. O tento foi obtido de um livre, e ainda por cima o remate pertenceu a [um defesa central] Saraiva...O médio Dantas foi o melhor elemento caldense. Bom sentido de jogo ofensivo, em que procurou quase sempre baixar a bola.


# 9.ª Jornada: SPORTING, 3 - CALDAS, 0 (09 de Novembro de 1958).

Na crónica do jornalista Manuel Mota do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 10 de Novembro de 1958, titulava-se: "Os dois extremos na base e um resultado que não encobre a fraca exibição...saíram de cantos os primeiros golos dos leões".

Estádio José Alvalade, em Lisboa,

Árbitro: Fernando Valério, de Setúbal,

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: Octávio Sá, Caldeira, Galaz e Pacheco; Mendes e França; Hugo, Julius, Martins, Diego (Argentino) e Morais. Treinador: Enrique Fernandez.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Rogério, Saraiva, Anacleto, Tomás Dantas e Orlando; Romeu, António Pedro, Sándor Kóvacs, Mateus e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

Ao intervalo: 0-0.

Golos: HUGO (57 e 73 minutos) e JULIUS (79 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Os «leões» ganharam o jogo no segundo tempo. Com toda a justiça, sem dúvida alguma, mas através de uma exibição descolorida, que o próprio resultado, embora expressivo, não encobre totalmente...Sucedeu até, que os caldenses não haviam sido inferiores em organização de jogo, construindo os seus lances com maior clareza, em transposições, em regra a cargo de António Pedro, melhor definidas...O Caldas quando obrigou o guardião da casa á primeira daquelas duas defesas apertadas, já havia fornecido alguns apontamentos que reflectiam o que seria o seu labor - enquanto não sofreu o primeiro golo e as forças o não traíram. O seu futebol claro e esclarecido de bola na relva, teve normalmente continuidade e se lhe faltou mais capacidade de penetração no sistema defensivo contrário...Aos dois minutos do segundo tempo o árbitro puniu o Caldas com uma grande penalidade, num lance em que intervieram Rogério e Diego, aparecendo este estatelado. Martins teve o encargo de marcar o «penalty»...Falhou!. O «acontecimento» deu, ainda, mais animo e tranquilidade aos visitantes, unidos firmemente na «barreira» em frente das balizas, e não perdendo o mínimo ensejo para gizar um contra-ataque. Contudo percebia-se mais intensidade de esforço no sector sportinguista, agora a jogar visivelmente em força, em vagas sucessivas de ataque...[chegou pouco depois ao primeiro golo, através de um canto] com oportuno e aparatoso golpe de cabeça [de Hugo]...[Contudo] a sua defesa [do Caldas] permanecia sólida a beneficiar do «afunilamento» atacante dos sportinguistas, e é de reparar neste pormenor elucidativo: tal como o golo n.º 1 dos «verdes», também o n.º 2 sairia de um «canto»...O Caldas caiu, então, quase verticalmente. O moral foi, naturalmente afectado pelo golo e isso acentou a sua queda física mais que notória. O último quarto de hora pertenceu persistentemente aos sportinguistas e as ocasiões de tento sucederam-se num curto espaço...[o que acabou por acontecer aos 79 minutos].


# 10.ª Jornada: CALDAS, 0 - CUF, 3 (30 de Novembro de 1958).

Na crónica do jornalista António Dias, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 01 de Dezembro de 1958, titulava-se: "A defesa visitante inspirou a equipa [da CUF] para a vitória".

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Décio de Freitas, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Saraiva e Anacleto; António Pedro e Orlando; Pastorinha, Mateus, Janita, Sarrazola e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

GRUPO DESPORTIVO DA CUF: José Maria; Durand, Palma e Abalroado; Oliveira e Orlando; Rodrigues, Moreira, Arsénio, Gastão e Uria. Reinador: Cândido Tavares.

Golos: MOREIRA (11 minutos) e ARSÉNIO (22 e 33 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): O triunfo arrancado, ontem, pela CUF no Campo da Mata, sobre um terreno difícil, por via das últimas chuvadas, fundamenta-se em três razões de vulto: na estuante juventude da equipa, conduzida com sabedoria; na sua magnífica pujança atlética e no seu espírito de luta deveras notável...Aos caldenses também não faltou força de vontade, energia a rodos, energia que às vezes não os deixará ter visto com o raciocínio requerido o melhor caminho para se oporem ao futebol e intenções do adversário. Diremos, mesmo, que foi talvez a ansia da equipa do Caldas, na segunda parte, ao entregar-se demasiadamente para a frente numa luta com a defesa visitante, em que esta quase sempre levava vantagem, que apressou a sua derrota. E a demonstrá-lo está o facto de a CUF não conseguir desenhar a vitória enquanto isso não sucedeu...A equipa do Caldas caiu de pé! O resultado é mesmo um pouco duro para quem lutou com tanta vontade, tanta energia, vendo o seu esforço dizimado inutilmente. Afinal é a lei do jogo. De citar a acção desenvolvida por Saraiva, a querer «empurrar», a querer fazer aquilo que todos os seus companheiros não conseguiram. Como é de citar o esforço de Anacleto, de António Pedro e de Mateus, aquele que na frente mais trabalho deu à defesa da CUF. Mas ao Caldas faltou, não há duvida, uma força atacante organizada que contrariasse o acerto e empenho dos defesas contrários.


# 11.ª Jornada: V. GUIMARÃES, 3 - CALDAS, 0 (07 de Dezembro de 1958).

Na crónica do jornalista Carlos Barquinha, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 08 de Dezembro de 1958, titulava-se: "Intenções opostas a cargo de bons executantes".

Campo da Amorosa, em Guimarães,

Árbitro: Costa Martins, do Porto,

VITÓRIA SPORT CLUBE (DE GUIMARÃES): Sebastião; Virgílio, Silveira e Daniel; Barros e João Costa; Bártolo, Edmur (Brasileiro), Romeu, Carlos Alberto (Brasileiro) e Rola. Treinador: Mariano Amaro (o treinador que subiu o Caldas Sport Clube à I Divisão, na época 1954/1955).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Saraiva e Rogério; Anacleto e Pastorinha; Mateus, Romeu, Sarrazola, António Pedro e Orlando. Treinador: Josef Fabian.

Golos: EDMUR (6 minutos) e BÁRTOLO (20 e 88 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Houve...nos 90 minutos, uma equipa a pensar no ataque e outra só na defesa...De resto o resultado está perfeitamente certo e ao Caldas devem tributar-se os elogios a que tem direito qualquer equipa capaz de executar um plano de jogo preconcebido. O Caldas conseguiu. Depois do segundo golo o visitante tentou ainda alguns ataques e quando o resultado estava em 1-0 executou dois assaltos à baliza de Sebastião nos quais o êxito não esteve muito longe. Como labor ofensivo, isto é pouco, muito pouco mesmo. E defender o 0-0 ou atacar a espaços depois do 1-0 nem sempre dá resultado...No Caldas, Rita distinguiu-se muito e se não fora o primeiro golo a sua exibição teria ficado mesmo, como exemplo. Saraiva subiu com o andar do jogo e tanto Pastorinha como Orlando foram dois verdadeiros sacrificados. Há que elogiar também António Pedro.


# 12.ª Jornada: TORRIENSE, 1 - CALDAS, 0 (14 de Dezembro de 1958).

Na crónica do jornalista Guilhermino Rodrigues, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 15 de Dezembro de 1958, titulava-se: "A força de vontade venceu a água, a lama e o adversário".

Campo das Covas, em Torres Vedras,

Árbitro: Manuel Lousada, de Santarém,

SPORT CLUBE UNIÃO TORRIENSE: Pinheiro; António Costa, António Manuel e Bernardes, Hélder e José da Costa; Saldanha, Carlos António, Vítor, Azevedo e Bezerra (Angolano, ex: Belenenses). Treinador: Evaristo Silva (que entretanto tinha substituído o demissionário Treinador Húngaro Josef Tarkanyi).

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Saraiva e Rogério; Anacleto e Pastorinha; Mateus, Romeu, António Pedro, Sarrazola e Orlando. Treinador: Josef Fabian.

Golo: AZEVEDO aos 16 minutos (61 minutos) da segunda parte.


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): Quando as equipas entraram em campo [para disputar o «clássico» Torriense - Caldas] a chuva batia há algumas horas o terreno tornando-o, mesmo antes de revolto pelos jogadores, num confrangedor lamaçal...Como se depreende o Caldas foi um vencido que soube lutar. Podia-se a sorte lhe tivesse sido francamente favorável - ter alcançado o triunfo naquelas flagrantes oportunidades que se lhe deparavam. Mas como ao seu adversário também escaparam idênticos momentos, resta-nos analisar o mérito da vitória pela actuação global e aí a vantagem foi dos torrienses. Na turma do Caldas distinguiram-se Saraiva (o falhanço que deu origem ao golo aceita-se pelo estado do terreno), Anacleto, Rita e Sarrazola. Romeu começou muitíssimo bem, mas o desgaste físico provocado por um piso ingrato para a sua compleição física acabou por vencê-lo.



# 13.ª JORNADA: CALDAS, 2 - ACADÉMICA, 1 (21 de Dezembro de 1958).

Na crónica do jornalista Manuel Mota, do Jornal "Mundo Desportivo", publicada no dia 22 de Dezembro de 1958, titulava-se: "Três «pedras» mudadas mudaram o jogo dos vencedores".

Árbitro: Eduardo Gouveia, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro, Pastorinha e Rogério; Anacleto e Orlando; João Resende, Sarrazola, Saraiva, António Pedro e Lenine. Treinador: Josef Fabian.

ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA: Teixeira; Marta, Mário Wilson e Bento; Malícia e Mário Torres; Samuel, Jorge Humberto, Rocha, André e Bentes. Treinador: Otto Bumbel (que tinha substituído o Húngaro János Biri, que tinha iniciado a época).

Golos: JORGE HUMBERTO (3 minutos); LENINE (40 minutos e 53 minutos).


CRÓNICA DO JOGO (Jornal "Mundo Desportivo"): [Em jogo de «aflitos»] Efectivamente advinhava-se que o desafio seria de constantes assaltos às balizas...Mas não foi sempre assim. E só foi assim, em boa verdade, quando os caldenses, ao mesmo tempo que rectificavam uma «fantasia» (a de Saraiva a avançado-centro), se entregavam ao jogo com mais aplicação, com evidente e esperada vibração...A mudança de três pedras contribuiu de maneira clara para a reviravolta. Regressado Saraiva à defesa para lhe dar consistência que até aí não tivera, esse pormenor arrastou Orlando para o eixo do ataque e este ganhou uma clareza e quase ligação de que até aí não dispusera...Tudo isto se observou depois do intervalo, de certo modo favorecido pelo 1-1 que então havia, mas foi o bastante para dar novos rumos ao encontro [dando o Caldas a volta ao marcador, fazendo uso da sua velocidade. 


   Uma Equipa do Caldas da Época 1958/1959
representada na Colecção de Caramelos -
"Azes Futebolistas". Editora: Altesa.



FIM DA PRIMEIRA VOLTA.