Caldas Sport Clube 1954/55

Caldas Sport Clube 1954/55

sábado, 5 de novembro de 2016

"O Onze está formado (para a Época de 1956/57) - revela Fernando Vaz", o novo Treinador do Caldas

Em entrevista ao Jornal "A Bola", na edição de 08 de Setembro de 1956, dias antes de começar nova época futebolística, Fernando Vaz, o novo técnico do Caldas Sport Clube de 1956/1957 (vindo do Vitória de Guimarães para substituir Jozsèf Szabó, que entretanto se mudara para o Sporting de Braga, para orientar, este clube, na II Divisão Nacional) revelou-se assim:

Começamos por lhe perguntar qual vai ser a «equipa do Campeonato» e ele começa a analisar os vários sectores, dizendo-nos:

- Com a saída de Leandro, apareceu um problema na defesa, com que não contava, pelo que fui levado a experimentar o jogador que me parecia reunir as melhores condições: Sarrazola (ex: Sporting da Covilhã). Todavia a aquisição de Abel (ex: Sporting de Braga) fez-me pensar na sua imediata adaptação ao lugar, em que vou insistir por lhe reconhecer inegáveis qualidades para o bem desempenhar.

- Quer dizer que a defesa...

- A defesa está, pois, praticamente formada.

- E quanto à linha média? - continuámos

- Na linha média, também os «velhos» são de manter: o duo António Pedro e Romero - afirma-nos com ar de satisfação, a satisfação que sentira todo o técnico que tivesse ao seu dispor jogadores de tal fibra.

- Passamos agora à linha da frente

- Para a formação atacante - declara-nos, - o clube possui um apreciável lote de jogadores susceptível de preencher os respectivos lugares.

E continua na sua apreciação:
- Após demorada observação, decidi pela escolha dos cinco elementos que, de momento, reúnem maior sumula de predicados físico-técnicos, para assim emprestar a esse sector algo mais de agressividade que, porventura, lhe tem faltado. Teremos assim, possivelmente, na linha da frente: Anacleto, Romeu (um jovem de promissor futuro, que se encontra em excelente «forma») Saraiva (ex: Régua) - (cuja adaptação levará o seu tempo, mas que, confio, se afirmará com o decorrer dos jogos), Garófalo (o argentino contratado ao Sporting de Braga, durante o decorrer da época anterior) e Sarrasola.

Quisemos ainda aprofundar um pouco mais e saber o que pensa Fernando Vaz do restante «material» de que dispõe, e anotámos:

- O clube não está nada mal apetrechado! Além dos jogadores previstos conto ainda com elementos de primeira categoria, todos eles possuidores de excelentes qualidades como Vitor, Lenine, Orlando, Oliveira, Evaristo, Janita, Auleta, etc. que manterei em permanente observação.

Estava quase saciada a nossa curiosidade mas aproveitámos para registar a sua categorizada opinião quanto o comportamento da equipa no campeonato que vai começar.

A calma peculiar de Fernando Vaz não sofreu qualquer alteração, sinal, para nós, de confiança no futuro, e foi com consciência plena das suas possibilidades que nos afirmou:

- Naturalmente, tenho de encarar a prova com reservas naturais e, enfim, com a aspiração de uma classificação honrosa dentro das possibilidades de um clube ainda jovem na prova, como é o Caldas.

E logo a seguir, mais categoricamente:

- Uma coisa porém é certa, palpável, que é a unidade que se verifica no todo desportivo do clube. Directores, técnicos e jogadores, todos estão identificados no mesmo objectivo de bem representar e dignificar o representante das Caldas da Rainha.

- E finaliza com a afirmação:

- O moral é excelente, a camaradagem afirma-se mais firme dia a dia e a minha confiança nos rapazes leva-me a acreditar plenamente que eles poderão e deverão fazer uma esplêndida época.


Fernando Vaz



O Caldas protestou (o jogo) com o Belenenses...mas...

Após o encontro de ontem (ver jogo Os Belenenses vs Caldas, Quartos-de-Final da Taça de Portugal) nas Salésias o treinador do Caldas, José Sezabo anunciou: - o prolongamento começou tendo o Caldas apenas seis homens em campo e isso é contra os regulamentos. António Pedro, Martinho, Amaro, Romero e Lenine demoraram-se mais, porque foi necessário arranjar os «pitons» das suas botas. E, sem »pitons» não é possível jogar. Portanto o Caldas vai protestar...mas...na edição do Jornal "A Bola", de 17 de Maio de 1956, surgiu em título: "Caso arrumado. Improcedente o protesto do Caldas", prosseguindo que: O «caso» do jogo Belenenses-Caldas, que tanto tem dado que falar, teve o seu epílogo na terça-feira (15 de Maio), com uma decisão do Conselho Técnico que considerou improcedente o protesto apresentado pelo Caldas...á base do Regulamento da prova, amparado ao seu artigo 5.º, que diz textualmente: «Nos jogos dos dezasseis avos, oitavos, quartos e meias-finais quando no fim do tempo regulamentar, se verificar um empate, serão estes INTERROMPIDOS durante 5 minutos e, depois, PROLONGADOS por trinta minutos, divididos em duas partes de 15 minutos cada uma, sem intervalo...O protesto do Caldas invocava o facto de se ter escolhido campo novamente, para considerar o prolongamento como novo jogo, mas o Conselho Técnico, em face da clareza do regulamento, resolveu, por maioria considerar improcedente o referido protesto. Fica portanto, para a história o emocionante encontro de domingo passado.  

Notícia de problemas no Caldas...

No Jornal "A Bola" de 10 de Maio de 1956, surgia em título: "Um mal nunca vem só...Problemas do Caldas"...Depois do episódio insólito que tinha surgido entre Leandro e Bispo, noticiava-se que:

- António Pedro vai para África (jogar futebol em Angola, o que acabou por não acontecer);

- Romero multado;

- Bispo fala em deixar o futebol (o que também acabou por não acontecer);

- Demitiu-se o Presidente (o Dr. Fernando Fontinha).

O caso insólito... ocorrido entre o acusador Leandro e o réu Bispo

No Jornal "A Bola" do dia 05 de Maio de 1956, surge-nos uma crónica/entrevista com os protagonistas, Leandro e Bispo, do caso insólito ocorrido em Montemor-o-Novo, aquando do jogo União Montemor vs Caldas, para a Taça de Portugal, com o título: "Está aberta a audiência! Leandro Promotor de Justiça e Bispo um réu que se diz inocente"

Embora não inédito, não é, contudo muito vulgar o caso a que nos vamos referir: Um jogador é expulso do campo - até aqui, nada de invulgar, infelizmente - mas a ordem de expulsão vem, não do juiz máximo em campo...mas de um juiz...que é o «capitão da equipa»!
E isso foi o que aconteceu no encontro em Montemor, em que Leandro «capitão» do Caldas, mandou retirar do terreno o seu centro-avançado Bispo...

- Pode-nos dizer, Leandro o que motivou a sua ordem de expulsão a Bispo?

- A sua falta de interesse dentro do campo! Durante muito tempo o evitei, e várias vezes o aconselhei  jogar, indo para o seu lugar.

- Actuou espontaneamente ou tinha recebido instruções para isso?

- Já antes do jogo tinha recebido essas instruções, tanto mais que em Torres Vedras (jogo para o Campeonato Nacional) já tinha acontecido o mesmo e era notada por todos a sua falta de apego ao jogo.

- Como reagiu Bispo nessa altura?

- Saiu calmo, e depois disso não mais se falou no assunto.

Quisemos saber ainda como tinham reagido os restantes componentes da turma e Leandro, diz-nos - Acharam todos bem e creia que até eles próprios já me tinham chamado a atenção, para a maneira como ele estava a actuar.

- E que julga que tivesse evado Bispo a essa atitude?

- Não sei francamente não compreendo! Pois se não esta contente, os companheiros não têm culpa e preferível seria que dissesse que não queria jogar...

Ouviu-se depois o jogador Bispo...

- Como recebeu a ordem de Leandro?

- Com espanto, confesso, porque se estava a jogar muito mal e se as coisas não corriam bem a culpa não era só minha! Vinha muitas vezes atrás, mas com a intenção de procurar jogo.

- São passados dois dias: pode-nos dizer francamente se considera justa a expulsão?

- Não, de maneira nenhuma!

- E porquê?

- Não me considero culpado da equipa estar a jogar mal e as coisas não carrilarem, como seria desejo de todos, mas...

- ?

- São tudo reflexos de uma má camaradagem que existe dentro do clube! Não guardo qualquer animosidade contra Leandro, porquanto cumpriu como lhe ordenaram de fora!...

Este episódio caricato levou, no final da época, à saída de ambos os jogadores do Caldas Sport Clube...tendo o réu Bispo sido transferido para a CUF do Barreiro.





sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Taça de Portugal 1956

1.ª ELIMINATÓRIA

MONTEMOR, 1 - CALDAS, 3 (02 de Maio de 1956).

No Jornal "A Bola", de 03 de Maio de 1956, titulava-se: "O golo da confirmação surgiu no 86.º minuto".
Estádio 1.º de Maio, em Montemor-o-Novo,

UNIÃO SPORT MONTEMOR: André; Claro e Pinho; Cartas, Félix e Quim; Frazão, Balbino, Vinueza, Raul e Carmo.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro e Fragateiro; António Pedro, Leandro e Romero; Anacleto, Romeu, Bispo, Martinho e Lenine.


Na primeira parte: 1-2

Pertenceu aos montemorenses (que pertenciam à II Divisão Zona Sul) a abertura do marcador. Um «canto» apontado por Carmo aos 9 minutos, proporcionou o vitorioso remate, de cabeça, de CARTAS, que se antecipou bem à saída de Rita.

Decorridos oito minutos (aos 17 minutos), o Caldas empatou. Descida pela esquerda, a abrir a defesa alentejana, MARTINHO recolheu o esférico dominou-o e terminou com potente remate indefensável.

Aos 21 minutos, Lenine derivou para o lado direito. Daí, centrou perigosamente, e o remate de ROMEU não se fez esperar.

No segundo tempo: 0-1.

Aos 13 minutos (58 minutos), Bispo saiu, por determinação do «capitão» da sua equipa (Leandro), decisão motivada, supomos pela notória apatia e desinteresse manifestados por aquele dianteiro (um caso insólito, o que provocou que o Caldas jogasse com menos um jogador - ver desenvolvimento num outro texto, intitulado: O caso insólito ocorrido entre o acusador Leandro e o réu Bispo)

O golo da confirmação da vitória dos caldenses (e consequente passagem aos oitavos de final desta competição) surgiu apenas a quatro minutos do fim (aos 86 minutos), por intermédio de ROMEU, a finalizar um bom cruzamento o extremo-esquerdo da turma visitante.


OITAVOS DE FINAL (1/8)

CALDAS, 2 - TIRSENSE, 1 (06 de Maio de 1956)

No Jornal "A Bola" titulou-se, em 07 de Maio de 1956: "Santo Tirso sai da prova de cabeça bem erguida...O Caldas nos Quartos-de-Final"

Campo da Mata, em Caldas da Rainha,

Árbitro: Joaquim Campos, de Lisboa,

CALDAS SPORT CLUBE: Rita; Amaro e Fragateiro; António Pedro, Leandro e Piteira; Orlando, Romeu, Anacleto, Martinho e Lenine.

FUTEBOL CLUBE TIRSENSE: Pardiñas; Carriço e Joaquim; Boavista, Chelas e Dieste; Samuel, Falcão, Eduardo Vital, Valdemar e Martins.

Aos 10 minutos, o Caldas obteve o primeiro golo. Bom trabalho de Martinho no lado esquerdo, centro atrasado e remate de ANACLETO, com toda a calma.

Os Tirsenses (que pertenciam à II Divisão, Zona Norte) empataram 17 minutos (27 minutos) mais tarde. Descida pela esquerda e centro para Vital, que deixou seguir a bola para a direita, proporcionando a FALCÃO excelente abertura para o pé vitorioso.

Ao intervalo: 1-1.

Aos 10 minutos (55 minutos) da segunda parte, MARTINHO deu a vitória à sua equipa. Depois e trocar dois passes com o extremo-direito, o calmo e experiente interior-esquerdo local passou a bola de um pé para o outro e visou a baliza acto contínuo. Remate feliz, de 20 metros, que levou o esférico a entrar junto ao ângulo superior das redes, sem possibilidade de defesa.


No quarto de hora final os tirsenses queimaram os «últimos cartuchos», em busca do empate, mas debalde.


QUARTOS DE FINAL (1/4)


BELENENSES, 3 - CALDAS, 2 (13 de Maio de 1956)

No Jornal "A Bola", em crónica assinada pelo Director Ribeiro dos Reis, titulava-se: "Arrancada a ferros esta vitória dos azuis...A Meia hora do prolongamento foi um suplício para os Belenenses" (14 de Maio de 1956).

Campo das Salésias, em Lisboa,

Árbitro: Inocêncio Calabote, de Évora,

CLUBE DE FUTEBOL "OS BELENENSES": Nogueira; Pires e Moreira; Carlos Silva, Figueiredo e Vicente Lucas; Pellejero, Dimas, André, Miguel Di Pace e Matateu.

CALDAS SPORT CLUBE: Rita, Amaro e Fragateiro; Romero, Leandro e António Pedro, Orlando, Romeu, Anacleto, Martinho e Lenine.

Ao intervalo: 2-1.

1-0: Aos 25 minutos por ANDRÉ, na transformação de grande penalidade com que o árbitro puniu o Caldas, quando um dos seus defesas «agarrou» Matateu dentro da área, no momento em que o moçambicano se preparava para visar a baliza.

2-0: Aos 9 minutos, por MATATEU, com um «tiro» fortíssimo, apontado a uns bons vinte metros da baliza. André, demarcado na extrema-esquerda, recebera um bom passe em profundidade, endossou  bola a Dimas e este cedeu o remate a Matateu, que não deixou fugir a ocasião.

2-1: Aos 35 minutos, de ROMEU, também com um remate de longe, com grande surpresa dos «azuis» e do próprio guarda-redes, que ficou parado, a olhar para a trajetória da bola, como e o jogo tivesse sido interrompido e não valesse apena fazer-se ao lance.

No segundo tempo: 1-1.

2-2: Aos 8 minutos (53 minutos), por LENINE, numa jogada de insistência, concluída com êxito. Romeu bem servido em profundidade, desmarcou-se a tempo, caminhando com intenção para a baliza e aproveitando a má saída de Nogueira atirou para as redes. O defesa do Belenenses, Pires, salva a situação quando a bola ia a transpor o risco, mas o esférico fez tabela no corpo doutro jogador e ficou ainda próximo da baliza. O extremo-esquerdo do Caldas que não deixara de acompanhar o lance entrou a tempo e empurrou a bola para as redes.

Em virtude do empate (2-2) que se registou no final dos 90 minutos, houve que recorrer a meia hora de prolongamento, nos termos do regulamento da prova.

O golo que passou o resultado para 3-2 e deu a vitória aos «azuis» foi obtido logo no primeiro minuto deste período extra.


O grupo das Caldas estava incompleto quando o árbitro apitou para o recomeço. O Belenenses atacou logo com ímpeto e fez uma descida perigosa pelo lado direito. Dimas, que aproveitara o campo aberto na sua frente, para fugir para a baliza, foi vitima de uma irregularidade perto do limite da área da grande penalidade, que o árbitro puniu com um «livre». Antes de ser executado o castigo entraram os cinco retardatários do Caldas (António Pedro, Martinho, Amaro, Romero e Lenine). A bola foi cruzada para «o monte», em frente da baliza, e aproveitando a grande aglomeração de jogadores, CARLOS SILVA fez uma recarga oportuna que o guarda-redes, tapado, não pode salvar. A bola entrou quase a roçar o poste e as redes, e estava feito o golo que assegurou a passagem do Belenenses às meias-finais (e a consequente eliminação do Caldas Sport Clube).
 
 

sábado, 7 de maio de 2016

Como preparou o Caldas Sport Clube a Finalíssima de Coimbra de acesso à I Divisão?

Na edição do Jornal "A Bola" de 25 de Junho de 1955, portanto na véspera da Finalíssima de Coimbra, este órgão de imprensa titulava: "Caldas refugiou-se quatro dias na pacatez do Luso. Fazendo o impossível para não pensar no jogo [com o Boavista]...E treinou-se com a Académica [no Estádio Municipal de Coimbra] - ou a Académica com o Caldas...tendo ganho o Caldas por 7-4!!!!".

Tendo as equipas alinhado:

ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA: Cristóvão; Mário Torres e Melo (Nuno); Abreu, Inácio e Gil (Pérides); Duarte, Pérides (Bagarro), André, Faia e Bentes.

CALDAS SPORT CLUBE: Vitor; Piteira (Guilherme Wilson) e Fragateiro, Romero, Leandro e Guilherme Wilson (António Pedro); Orlando, Calicchio, Martin, António Pedro (Bispo) e Anacleto.


NOTA: Por ser um jogo treino, as equipas, como se vê, utilizaram vários jogadores, pois se fosse um jogo oficial, só poderiam jogar 11 jogadores de cada lado, pois nestes anos 50, não eram permitidas substituições durante o decorrer do encontro.


segunda-feira, 28 de março de 2016

Entrevista com JÓZSEF SZABÓ, treinador do Caldas (Época 1955/56)

Na edição do Jornal "A BOLA", do dia 08 de Março de 1956, foi publicada uma pequena entrevista com ZSEF SZABÓ - ou JOSEPH SZABO, ou ainda JOSÉ SEZABO, ou simplesmente JOSÉ SZABO, conhecido, igualmente por estes dois últimos nomes, ao ter, entretanto, adquirido a nacionalidade portuguesa -, treinador do Caldas SC - que segundo a edição do Jornal "A BOLA", de 30 de Julho de 1955, tinha celebrado um contrato válido por dois anos, que acabou por não cumprir, saindo no fim da época de 1955/56 (voltaria a treinar o Caldas, na época 1959-1960, já na II Divisão), recebendo «luvas» (valor adicional que costumava ser pago no início do contrato) no valor de 30 contos (30 mil escudos) e auferia mensalmente 5 contos (5 mil escudos) - , e antigo treinador do Sporting Clube de Portugal (entre as épocas 1936-1945; 1953-1954 - colaborando com Tavares da Silva; e 1964-1965 - também em colaboração com Anselmo Fernandez e Armando Ferreira, onde nestes anos todos viria a ganhar 6 Campeonatos de Lisboa, 2 Campeonatos Nacionais, 1 Campeonato de Portugal, 1 Taça de Portugal e 1 Taça Império), depois do jogo que o Caldas realizou com o "seu" Sporting, referente à 21.ª Jornada (vide ficha e crónica deste jogo, referente à época 1955/56: 2.ª volta), tendo por título: "Uma opinião...A Equipa do Sporting é a noite comparada com o dia".

Afirmando na altura de uma forma directa e sem nenhuns rodeios, o seguinte: ...O pior resultado (no Caldas vs Sporting) que poderia esperar seria um empate! os rapazes (do Caldas) jogaram com alma e fizeram tudo para não perder - foram as suas primeiras espontâneas declarações.

Como aprecia o rendimento da equipa (do Caldas)?
- A equipa do Caldas S.C. tem um conjunto bom e que cumpre na medida do possível. Muito fazem eles, pois não é em cerca de seis meses que se consegue dar verdadeira classe a uma equipa que iniciou o campeonato com alguns jogadores habilidosos, sim, mas inexperientes! E o treinador dos caldenses recordou fases do jogo em que essa inexperiência foi bem flagrante, fazendo perder golos. Numa delas Carlos Gomes deitou as mãos à cabeça, julgando a bola dentro da rede!...
Como aguarda a equipa os futuros jogos?

- Os rapazes sabem dominar a bola, sabem fintar, sabem passar, e, não os considero inferiores aos outros! Estão conscientes do seu valor e, por isso, o seu moral não está enfraquecido. Mas –continua – temos de ser francos: São «azelhas» diante das balizas! Falta na frente um orientador, um criador de jogo (e nesta altura foram recordados Calicchio e [Pedro] La Vega), alguém que se sacrifique durante hora e meia para ser o servidor dos seus companheiros, que tenha o espírito de sacrifício suficiente para não se querer salientar e pensar antes em servir!. - (E continua) O jogador português tem a tendência para driblar! Ora isto é um recurso e, só como tal, deve ser utilizado! O que é preciso é permuta de bola, pois o drible atrasa o jogo! E a rematar esta série de considerações: - Os dribles são o cancro do futebol português.
Perguntámos a seguir: O Caldas mantém-se em posição considerada delicada. Diga-nos: Espera alcançar alguns pontos fora de casa?

- Dentro ou fora, hão-de fazer-se ainda 3 pontos, pelo menos.
Acha que o Caldas cairá no 13.º lugar?

- A infelicidade não há-de estar sempre atrás da porta, e ela já nos acompanha há muito tempo…Os rapazes jogam tanto como os outros; apenas repetiu-lhes falta coragem, e decisão frente às balizas!
E se tiverem de efectuar o jogo de passagem? (refere-se ao jogo de competência que terá de efetuar com o 2.º classificado da II Divisão)
 
- Não penso nisso! Não encaro esse perigo. Os rapazes, mesmo, devem pensar, que não podem ver-se nessa situação. Por isso, daqui os exorto a que joguem sempre como jogaram no domingo passado (refere-se ao tal jogo do Sporting, no Campo da Mata). Os pontos forçosamente hão-de aparecer, dentro ou fora de «casa». E em ar de confidência: Todas as noites rogo para que a rapaziada se salve da crise por que está passando! Formou-se uma atmosfera pesada em cima deles, em consequência dos últimos resultados, o que considero injusto. E concluiu, afirmando: - Espero justiça para estes rapazes disciplinados, bons e modestos, que mais não fazem porque não podem e aproveito a oportunidade para daqui lhes render o meu sincero pleito de homenagem.


József Szabó